- Um rei consumido por um nome, um caminho que o aguarda.
- Um tetrarca, um rumor, um cadáver que se recusa a permanecer morto.
- Ver sem crer: a anatomia de uma curiosidade que não converte.
- A consciência que fala apesar de si mesma
- O que isso muda na vida: o íntimo, o relacional, o social, o eclesial
- O eco patrístico, litúrgico e martirológico do texto
- Lectio divina
- Ao olharmos para dentro de nós mesmos, percebemos aquilo de que preferimos fugir.
- O que este texto diz ao nosso tempo
- Oração
- Uma questão que ainda aguarda resposta.
- Práticas
- Referências
- ✝ Referências bíblicas
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
7Ninguém, Herodes, ou tetrarca, ouviu falar de tudo o que Jesus estava fazendo e não sabia o que penser, pois alguns diziam: "João ressuscitou dos mortos"., 8Alguns dizem: "Elias apareceu", outros: "Um dos antigos profetas ressuscitou dos mortos."" 9Herodes diz: "Quanto a João, eu o mandei decapitar. Quem é, então, este homem de quem ouço tais coisas?" E pegue sua bicicleta.
Um homem acorda no meio da noite, suando frio, porque um nome que ele julgava enterrado está na boca de todos. Herodes teve a cabeça decepada, ele viu a bandeja, ouviu o silêncio que se segue a um assassinato bem-sucedido. E agora esse silêncio está repleto de rumores: o morto caminha, cura, ensina, atrai multidões. Não é uma investigação política que se abre no coração do tetrarca, é uma fissura. Ele questiona a todos, compara as hipóteses — Elias, um profeta ressuscitado, João ressuscitado dos mortos — e nenhuma o tranquiliza, porque nenhuma apazigua o que ele sabe que fez. Então ele quer ver. Não para acreditar. Para verificar se não foi pego.
Um rei consumido por um nome, um caminho que o aguarda.
O que o medo de Herodes revela sobre nós, e por que este texto abre um caminho para Aquele de quem não podemos fugir apenas olhando para Ele.
Há perguntas que buscam uma resposta e perguntas que buscam uma fuga. A pergunta de Herodes pertence à segunda categoria. Essa afirmação confronta o momento em que um homem poderoso, consumido por dentro, deseja ver Jesus sem jamais querer encontrá-lo — e o que isso nos revela, a nós que, por vezes, também queremos observar a fé de longe, sem nos deixarmos tocar.
Seguiremos três movimentos: primeiro, para entender quem é esse Herodes e o que sua pergunta perturbadora realmente significa; segundo, para explorar o que uma consciência culpada faz a um ser humano e como o desejo de ver pode coexistir com a recusa em crer; finalmente, à luz dos Padres da Igreja e da tradição, para descobrir que essa cena não é uma notícia antiga, mas um espelho apresentado a qualquer pessoa que busca a Deus por curiosidade, e não por conversão.
Um tetrarca, um rumor, um cadáver que se recusa a permanecer morto.
Primeiro, vamos contextualizar. Herodes Antipas não é o grande Herodes que ordenou o massacre das crianças de Belém — esse foi seu filho, tetrarca da Galileia e da Pereia, um governante menor sob tutela romana, obcecado com sua posição e reputação. Foi ele quem mandou prender João Batista porque o profeta ousou criticá-lo por seu casamento com Herodias, esposa de seu irmão. Foi ele quem, cedendo a um juramento imprudente em um banquete, mandou trazer a cabeça de João em uma bandeja. O episódio é famoso, quase teatral em sua crueldade — e Lucas, que o conhece, não o relata aqui. Ele presume que o leitor já o conhece.O que Lucas relata é o que aconteceu depois. Podem ter se passado meses. Jesus viaja por toda a Galileia, ensinando, curando e enviando seus discípulos dois a dois para proclamar o Reino e expulsar os espíritos malignos. A notícia chega à corte de Herodes — e o perturba profundamente. O texto grego é claro a esse respeito: Herodes "não sabia o que pensar", literalmente, ele estava perplexo, diēporei, uma palavra que descreve alguém completamente desorientado, buscando em vão uma saída em meio a um labirinto de pensamentos conflitantes.
Três hipóteses circulavam entre o povo, e Lucas as lista como um tribunal deliberando. Alguns diziam que João havia ressuscitado dos mortos — a teoria mais aterradora para Herodes, pois implicaria um retorno, uma justiça o alcançando do além-túmulo. Outros pensavam em Elias, o profeta que retornaria antes do dia do Senhor, segundo Malaquias — uma figura de expectativa escatológica, quase reconfortante em comparação. Outros ainda evocavam um profeta da antiguidade que retornaria à vida, uma formulação mais vaga, que liga Jesus à longa linhagem dos mensageiros de Deus.Em seguida, vêm as próprias palavras de Herodes, relatadas em discurso direto — um recurso raro em Lucas, que confere a essas palavras um peso particular: «João, eu o mandei decapitar. Mas quem é este homem de quem ouço tais coisas?» A construção grega justapõe de forma marcante o fato consumado — egō apekephalisa, «eu o decapitei» — e a pergunta que se segue, como se o próprio Herodes não conseguisse conectar as duas proposições em um único pensamento coerente. E o texto se encerra com uma breve nota, quase inocente: «ele o procurava». Esse desejo de ver, que não é concretizado aqui, permanecerá insatisfeito até o julgamento de Jesus, muito mais tarde no Evangelho de Lucas — onde Herodes, finalmente, verá Jesus face a face, e onde essa visão não mudará absolutamente nada em seu coração.
Ver sem crer: a anatomia de uma curiosidade que não converte.
Aqui reside o cerne do paradoxo que este texto expõe: pode-se desejar ver Jesus com todas as forças e, ao mesmo tempo, recusar-se a deixar que ele nos veja. Herodes quer um espetáculo, não um encontro. Ele quer desvendar um enigma, não ser perturbado em sua vida. E essa distinção aparentemente sutil, na verdade, separa duas atitudes religiosas fundamentalmente opostas, que podem ser encontradas em todas as épocas, inclusive na nossa.
A perplexidade de Herodes não é uma questão de intelecto, mas sim de consciência. Um homem que realmente não sabe quem é Jesus questiona-se friamente, como se estivesse resolvendo um problema externo a si mesmo. Mas Herodes está plenamente consciente do que fez. Sua pergunta sobre a identidade de Jesus é, na realidade, uma pergunta sobre sua própria culpa, que se recusa a ser nomeada diretamente. Ele não pergunta "quem é este homem?" como se perguntaria "quem é este novo mestre de Nazaré?" — ele faz essa pergunta depois de já ter, na frase anterior, confessado o assassinato que permeia toda a questão. É o próprio mecanismo de repressão expresso aqui com precisão quase clínica: nomear o crime e, em seguida, fugir imediatamente para outra pergunta, como se, mudando de assunto, fosse possível escapar do que acabou de ser dito. Esse fenômeno tem um nome na tradição espiritual: medo servil, aquele que teme a Deus não por amor, mas por medo do castigo. Herodes não teme perder Deus — ele teme ser dominado por Ele. E esse medo, longe de levá-lo à conversão, o impulsiona em direção ao controle: ele quer ver Jesus para verificar, para avaliar o perigo, talvez para neutralizar o que o ameaça, como neutralizou João. Nada nesse desejo de ver se assemelha à humildade de Zaqueu subindo em sua figueira brava, ou à fé da mulher com hemorragia tocando a roupa de Cristo na multidão. Essas duas figuras também queriam ver ou tocar Jesus — mas seu desejo brotava de uma necessidade de serem preenchidas, não de uma ameaça a ser contida. Há aqui uma lição terrível, mas libertadora: a proximidade física com Jesus não garante nada. Herodes de fato o verá, no capítulo vinte e três de Lucas, durante a Paixão. E esse encontro tão desejado não produzirá conversão, nem arrependimento, nem mesmo genuína curiosidade teológica — apenas um jogo, uma zombaria, uma vestimenta irônica com a qual o condenado é vestido antes de ser enviado de volta a Pilatos. Ver Jesus sem antes ter convertido o coração é arriscar-se a vê-lo e não o encontrar. Essa é a diferença entre olhar para um rosto e encontrar uma pessoa — o primeiro não custa nada, o segundo exige que a pessoa se permita ser vista em troca.A consciência que fala apesar de si mesma
Devemos deter-nos mais uma vez num detalhe que o texto não desenvolve explicitamente, mas que emerge em cada palavra proferida por Herodes: este homem está fundamentalmente sozinho consigo mesmo. Ele questiona os outros — "alguns disseram", "outros disseram" — como se quisesse tranquilizar-se com números, diluir a sua própria angústia numa sondagem de opinião. Mas a verdade que importa, ele já sabe, e não vem de nenhuma sondagem: "João, eu mandei decapitá-lo". Ele não precisa de perguntar a ninguém por esta frase. Está gravada dentro dele.
Este é um fenômeno espiritual que a tradição cristã há muito pondera sob o nome de sindérese — aquela centelha de consciência moral que nada, jamais, pode extinguir completamente, nem mesmo no homem mais corrompido pelo poder. Herodes tem autoridade para mandar decapitar pessoas, mas não tem autoridade para silenciar a própria memória. O poder político, por mais absoluto que seja no mundo exterior, permanece impotente diante da ordem interior da consciência. Esta é talvez a lição mais relevante deste texto antigo: ninguém reina sobre o próprio remorso.

O que isso muda na vida: o íntimo, o relacional, o social, o eclesial
Em um nível pessoal, este texto explora nossa própria relação com aquilo que enterramos. Cada um de nós carrega, em graus variados, seus próprios Joãos quebrados — atos, palavras e práticas de abandono que preferimos não nomear diretamente. E, como Herodes, podemos desenvolver uma sofisticada arte da digressão: ponderar sobre mil questões religiosas, filosóficas e existenciais, enquanto evitamos cuidadosamente a única pergunta que realmente importa, aquela que começa com "Eu fiz". A conversão autêntica muitas vezes começa com essa simples confissão, que Herodes faz quase que involuntariamente, sem jamais ir além: nomear o que se fez, antes de perguntar quem é Deus.
Em nossos relacionamentos, essa ideia nos convida a examinar como vemos aqueles que magoamos — ou aqueles que, por sua vez, despertam em nós uma culpa não resolvida. Há pessoas que evitamos não por indiferença, mas porque nos lembram de algo que preferiríamos esquecer. Reconhecer esse mecanismo já é o primeiro passo para nos libertarmos dele.
Na esfera social, este episódio denuncia com uma clareza surpreendente a forma como o poder procura instrumentalizar o sagrado. Herodes não quer que Jesus o converta; ele quer que Jesus compreenda um fenómeno que lhe escapa ao controlo, talvez para o dominar, talvez para se entreter com ele. Quantas vezes, na história como hoje, a curiosidade pela religião se reduz a este desejo de um espetáculo inconsequente?
Finalmente, na esfera eclesiástica, este texto lembra a cada comunidade cristã que a proximidade institucional com Cristo — ser batizado, assistir à missa, professar a fé — jamais substitui a conversão do coração. Pode-se ser, como Herodes, extraordinariamente bem informado sobre Jesus, falar eruditamente sobre ele, procurar vê-lo em todo tipo de lugar — e ainda assim permanecer, fundamentalmente, na mesma perplexidade estéril, jamais permitindo que essa informação se transforme em um encontro vivo.O eco patrístico, litúrgico e martirológico do texto
Desde os primeiros séculos, a tradição cristã interpreta esse episódio como um confronto exemplar entre o poder cego e a verdade perturbadora. Orígenes, em seu Comentário sobre Mateus (Livro X), compara a perplexidade de Herodes à do povo judeu diante de Jesus, vendo nela o sinal de uma genuína compreensão religiosa, porém bloqueada pelo medo das consequências práticas do verdadeiro reconhecimento — para Herodes, reconhecer Jesus como profeta equivaleria a reconhecer sua própria condenação. João Crisóstomo, em suas Homilias sobre Mateus (homilia XLVIII, dedicada à passagem paralela), insiste no contraste entre a memória indelével do crime em Herodes e a leviandade com que o cometeu — sublinhando que a consciência, ao contrário do corpo, não conhece anestesia duradoura e que o remorso sempre acaba ressurgindo, muitas vezes no momento em que menos se espera. Beda, o Venerável, em seu Comentário sobre o Evangelho de Lucas, observa que as três hipóteses populares — João ressuscitado, Elias retornado, um profeta levantado — delineiam negativamente as próprias categorias que o povo judeu costumava pensar sobre o Messias, e que sua inadequação comum já prenuncia a pergunta que o próprio Jesus fará a seus discípulos alguns versículos depois: «Mas e vocês? Quem sou eu?» O texto de Herodes funciona, portanto, como um contraponto negativo à confissão de Pedro que se seguirá imediatamente na narrativa de Lucas. Tomás de Aquino, em seu comentário sobre essa passagem da Catena Aurea, retoma e articula essas leituras patrísticas insistindo em um ponto específico: o medo de Herodes não é um medo religioso no sentido próprio, mas um medo puramente político disfarçado de questão teológica — o que, segundo ele, ilustra perfeitamente a diferença entre buscar a Deus e buscar neutralizar uma ameaça ao próprio poder.Liturgicamente, esta passagem de Lucas encontra seu lugar no lecionário na época em que a Igreja comemora a Decapitação de São João Batista em 29 de agosto — uma antiga festa, atestada desde o início da Idade Média tanto no Oriente quanto no Ocidente, na qual a Igreja relê precisamente este texto de Herodes para contrastar a fidelidade do profeta mártir com a covardia do rei que o silenciou. A liturgia deste dia enfatiza a coragem da denúncia profética diante do poder, custe o que custar.
Do ponto de vista martirológico, João Batista tem sido venerado desde o início como precursor não só da vinda de Cristo, mas também do seu martírio — morrendo por ter dito a verdade a um rei que não queria ouvi-la, prefigurando assim a morte do próprio Cristo, condenado por esse mesmo Herodes alguns anos depois sem que uma única palavra fosse dita em sua defesa.
Uma voz mais contemporânea, a de Romano Guardini em sua obra O Senhor, relê essa cena enfatizando que a pergunta de Herodes — "quem é este homem?" — é na realidade a pergunta que todo homem acaba se fazendo um dia, e que a tragédia desse rei não é ter feito a pergunta, mas tê-la feito sem jamais aceitar respondê-la com uma mudança de vida.
Lectio divina
«João, eu o mandei decapitar. Mas quem é este homem de quem ouço tais coisas?» (Lucas 9:9)
Talvez exista uma pergunta dentro de você que você faz em voz alta para evitar confrontar outra, mais silenciosa. Herodes pergunta quem é Jesus para não ter que responder pelo que fez a João. Que pergunta você faz constantemente para desviar o olhar daquilo que já sabe? Que nome, que rosto, que memória você se recusa a reconhecer diretamente? E se a verdadeira pergunta não for "Quem é esse homem?", mas "O que vou fazer agora que sei?"
Senhor, tu caminhas na Galileia, e as notícias sobre ti chegam às cortes dos poderosos, alcançando as profundezas do meu coração aflito. Não quero te ver como quem assiste a um espetáculo, de longe, sem arriscar nada. Desenterra em mim as perguntas que faço para evitar aquelas que realmente importam. Dá-me a coragem de nomear o que fiz, como Herodes conseguiu dizer em meias-verdades, incapaz de ir além. Tu que és o Caminho, não me deixes buscar-te sem jamais te seguir. Transforma minha curiosidade em conversão e meu medo em confiança.
Um planalto vazio, um rumor que se alastra como uma maré nas colinas da Galileia, e um rei sozinho no silêncio do seu palácio.
Ao olharmos para dentro de nós mesmos, percebemos aquilo de que preferimos fugir.
Esta semana, reserve um momento de silêncio e pergunte a si mesmo honestamente: que pergunta eu costumo fazer, sem nunca querer levá-la até o fim? Anote-a, se puder, em um pedaço de papel — nomeá-la já é um primeiro passo.
Em seguida, identifique o que isso pode estar mascarando: culpa, medo, um arrependimento nunca claramente expresso. Não tente resolver tudo de uma vez; simplesmente nomeie o problema.
Por fim, leve isso em suas orações, não para se julgar, mas para se deixar ver por Aquele que jamais foge de um coração sincero, mesmo que aflito. A conversão raramente começa com certeza — muitas vezes começa com uma confissão sussurrada, como a de Herodes, mas seguida, desta vez, por um passo concreto em direção à verdade.
O que este texto diz ao nosso tempo
Nosso mundo está repleto de curiosidade religiosa sem conversão. Hoje, podemos acompanhar relatos espirituais, ler sobre todas as tradições, meditar, pesquisar — tudo isso enquanto evitamos cuidadosamente a única pergunta que exige uma decisão que muda a vida. Os próprios algoritmos alimentam esse desejo de ver sem jamais se comprometer: consumimos o sagrado como se fosse apenas mais um conteúdo, sem que ele toque em nada real.
Herodes, nesse sentido, é surpreendentemente contemporâneo. Ele representa a figura do observador perpétuo, que quer saber tudo sobre Deus sem jamais permitir que Ele o toque. A distinção importante, porém, é que a curiosidade não é inerentemente errada — Zaqueu também era curioso. O que diferencia os dois homens é o que estão dispostos a arriscar nesse encontro: Zaqueu oferece sua casa e sua fortuna; Herodes, por outro lado, quer oferecer apenas seu olhar, à distância, sem jamais se entregar completamente.
Oração
Senhor Jesus, cujo nome incomodou reis mesmo antes de te conhecerem, vem e perturba também o meu conforto. Eu sei, como Herodes, coisas sobre as quais prefiro manter silêncio — palavras duras, silêncios cúmplices, atos comuns de covardia que disfarço com outras perguntas. Não permitas que eu te busque apenas por curiosidade, como quem busca a resposta para um enigma que não custa nada. Faze do meu desejo de te ver um desejo de te seguir. Que eu não esteja entre aqueles que te observam de longe, esperando que passes, mas entre aqueles que descem de suas figueiras bravas para verdadeiramente te acolher em seus lares. Tu que cruzaste a Galileia sem fugir do olhar ansioso dos poderosos, atravessa também o meu coração, até mesmo os recantos que eu preferiria manter fechados. Concede-me a graça de nomear o que carrego, como Herodes conseguiu formular parcialmente, mas concede-me a graça de ir até o fim desta confissão — até a conversão que ele nunca ousou experimentar. Amém.
Uma questão que ainda aguarda resposta.
Herodes fez sua pergunta e nunca quis de fato uma resposta. Você, hoje, pode fazer as coisas de forma diferente. A mesma pergunta ainda ecoa — "Quem é este homem?" — mas já não exige a curiosidade de um espectador. Exige uma vida. Ouse fazê-la plenamente, sem hesitação, e deixe que ela o conduza não a um palco vazio, mas a uma mesa onde o pão é partido.
Práticas
Anote, pelo menos uma vez nesta semana, o que você normalmente evita olhar.
Antes de buscar uma resposta religiosa para uma pergunta, questione-se se ela não está mascarando uma questão mais pessoal.
Leia Lucas 9:7-9 em voz alta, devagar, colocando-se no lugar de Herodes por um momento.
Ore por alguém que você evita, sem sempre saber exatamente por quê.
Escolha um ato concreto de conversão, por menor que seja, em vez de outra questão abstrata.
Referências
Antiguidade e os Padres (séculos I-V)
- Orígenes, em seu Comentário sobre Mateus, Livro X, analisa a perplexidade de Herodes como um sinal de uma inteligência religiosa bloqueada pelo medo das consequências de um verdadeiro reconhecimento de Jesus.
- João Crisóstomo, Homilias sobre Mateus, homilia XLVIII — destaca o contraste entre a leveza do crime cometido e a persistência do remorso que ressurge apesar do poder do rei.
Pais tardios e a Idade Média (séculos V a XV)
- O comentário de Beda, o Venerável, sobre o Evangelho de Lucas, destaca como as suposições populares sobre Jesus prenunciam a pergunta que o próprio Jesus fará aos seus discípulos imediatamente depois.
- Tomás de Aquino, Catena Aurea, comentário sobre Lucas 9 — distingue o medo político disfarçado de questão teológica em Herodes, iluminando a diferença entre buscar a Deus e buscar neutralizar uma ameaça.
Contemporâneo (séculos XX-XXI)
- Romano Guardini, em "O Senhor", relê a pergunta de Herodes como uma que todo homem acaba se fazendo, sendo a tragédia do rei o fato de tê-la feito sem jamais respondê-la com uma mudança de vida.
✝ Referências bíblicas
4 trechos · 3 livros
Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito. (João 3:16)
O Evangelho da Palavra: uma teologia profunda da Encarnação e dos sinais de Jesus.
→ Explore o Códice John- Fazer a própria vontade não é transcender a si mesmo, mas sim consentir.
- O que a árvore revela e o que a rocha sustenta — por que Agostinho neste texto específico?
- Seguir a Cristo: seguir aquele que é o caminho.
- Amar a si mesmo com humildade, a graça mais rara de todas.
- Orar sem testemunhas: o que o segredo revela sobre Deus e sobre nós
- Leão XIV no Stade de France: quando as palavras do Papa ressoam com a escuridão interior da juventude.
- Leão XIV em Paris: quando quinze mil agentes vigiam um homem pobre que não possui nada.
- O Jardim da Madonnina: Quando Leão XIV fez do coração humano o primeiro campo de batalha ecológico
- Como: Quando uma igreja católica se torna um espaço religioso indiferenciado

O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido. (Lucas 19:10)
O Evangelho da Misericórdia: Jesus próximo dos pobres, das mulheres e dos pecadores.
→ Explore o Códice Luc- O Filho do Homem está prestes a ser entregue nas mãos dos homens. Os discípulos tiveram medo de lhe perguntar sobre isso (Lucas 9:43b-45).
- Tu és o Cristo, o Messias de Deus. – O Filho do Homem deve sofrer muitas coisas (Lucas 9:18-22)
- Ele os enviou para proclamar o reino de Deus e curar os enfermos (Lucas 9:1-6).
- Que pode o homem dar em troca da sua vida? (Mt 16:24-28)
- Quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará (Lucas 9:22-25)
- Três Igrejas, Uma Missão: Quando a América do Norte Católica Escolhe a Fraternidade em Vez do Medo
- Atos 29: O sexto continente não precisa de apóstolos perfeitos, mas sim de apóstolos disponíveis.
- Colômbia: Quando a missão se torna presença, e a presença se torna oração.
- O avião oferecido a Leão XIV: a dádiva de bens gratuitos como uma memória redescoberta da Igreja.
- Perdoa o teu próximo pelo mal que te fez; então, pela tua oração, os teus pecados serão perdoados (Eclesiástico 27:30 – 28:7)
- Por amor aos judeus, meus irmãos, eu gostaria de ser amaldiçoado! (Romanos 9:1-5)
- Senhor Jesus, recebe o meu espírito (Atos 7:51–8:1a)
- Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino (Lc 23:35-43)
- O que o silêncio de Jesus diante de Herodes nos ensina sobre o nosso próprio desejo
- Herodes ouve falar de Jesus: o que seu medo revela sobre nós
- Gregório Magno e o denário oferecido ao recém-chegado à vinha.
- Amar o inimigo é, em última análise, ver como Deus vê.
- Não julgue: a difícil arte de deixar Deus ser Deus.
- Líbano, terra da ressurreição: quando a lei finalmente renuncia à pena de morte como punição.
- Jerusalém no coração de Paray: um patriarca sob bombardeio apresenta as chagas de Cristo
- Bamenda, ou a graça dos novos começos: quando a Igreja proclama a paz no coração da guerra.
- O Papa e a Cruz: Quando o Vigário de Cristo carrega o mundo nos ombros.

Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mateus 28:20)
O Evangelho do Rei: Jesus, o novo Moisés, cumpre as Escrituras para Israel e as nações.
→ Explore o Códice de Mateus- Não há nada de novo debaixo do sol (Eclesiastes 1:2-11)
- Ananias: O Senhor não te enviou, e tu tranquilizas este povo com uma mentira (Jeremias 28:1-17)
- Herodes mandou decapitar João na prisão. Os discípulos de João foram e contaram a Jesus (Mt 14:1-12).
- Quem ouve a palavra e a compreende, dá fruto (Mt 13:18-23)
- «Eu não vim trazer a paz, mas a espada» (Mt 10:34 – 11:1)
- Uma Alma Escolhida: O Desvio de Jesus para a Mulher Cananeia
- Aprendendo a virtude dos animais: quando Crisóstomo faz da criação um espelho
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