- Maria Madalena, ou a alegria que surge das lágrimas mais verdadeiras
- À beira do desastre: o contexto de João 20:1, 11-18
- O enigma do nome: como Deus se revela
- O jardim, a mulher e o recomeço do mundo
- Um lugar que fala antes mesmo das palavras chegarem.
- O erro de Maria e sua profunda verdade
- «Não me impeçam»: a liberdade do Ressuscitado
- O que realmente muda: da caverna às ações cotidianas
- O que a tradição compreendeu neste texto
- Lectio divina
- Como inserir este texto com o seu corpo
- O que a urgência mundial não compreende
- Oração
- «"Eu vi o Senhor"»
- Práticas
- ✝ Referências bíblicas
Evangelho de Jesus Cristo segundo São João
1Não sendo o primeiro dia da semana, Maria Madalena confia que a morte terminará, antes que o medo se dissipe, e que em breve ela será libertada da morte.
11Não importa, Maria ficou do lado de fora do túmulo, derramando lágrimas e, chorando, curvou-se em direção ao túmulo., 12E eu tenho que viver de vestidos brancos, sentir a onda de verão do corpo de Jesus, cabeça com cabeça e outro aos pés. 13E ele diz: "Mulher, por que você está chorando?" Ela respondeu: "Porque eu me levanto do Senhor, não tenho a mesma onda ou posso usá-la." 14Tendo dito essas palavras, ela se virou e viu Jesus parado ali, sem reconhecê-lo. 15Jesus lhe disse: "Mulher, por que isso chorando? O que é essa aquisição?" Ela, pensando que pit o jardineiro, diz: "Senhor, se o senhor o levou, diga-me onde o colocar, e eu irei buscá-lo."" 16Jesus disse a ela: "Maria". Ela se virou e disse em hebraico: "Raboni", o que significa "Mestre"?" 17Jesus lhe disse: "Não me segure, pois ainda não suis para o Pai. Mas vá aos meus irmãos e diga-lhes: 'Estou subindo para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus.'"" 18Maria Madalena acredita e continua com seus discípulos que viu o Senhor e que disse ter tentado contar a vocês o que havia dito.
Uma mulher chega a um cemitério antes do amanhecer, com os olhos inchados e os braços carregados de nada — ela perdeu tudo. O túmulo que ela veio visitar está aberto, o corpo que ela procurava desapareceu. Essa é a gota d'água. Ela chora, procura, chega a questionar um homem que ela pensa ser o zelador. E então esse homem pronuncia o nome dela. Apenas uma palavra. E tudo muda. Ela reconhece uma voz que pensava estar morta. Ela quer se jogar a seus pés, impedi-lo, nunca mais soltá-lo — mas ele diz para ela ir. Para ir e contar a novidade. Ela sai correndo, com as mãos vazias e o coração cheio de uma notícia impossível: «Eu o vi. Ele está vivo.»
Maria Madalena, ou a alegria que surge das lágrimas mais verdadeiras
Quando a morte perde e o amor encontra: um encontro que muda tudo o que pensávamos saber sobre luto e ressurreição.
Esta passagem de João é talvez a mais íntima de todas as narrativas da Páscoa. Ela não fala primordialmente de teologia, mas de lágrimas. Uma mulher procura um homem morto e encontra o Vivente — sem vê-lo a princípio, sem reconhecê-lo. O que a atrai a ele é uma voz, um nome. Esta passagem é para aqueles que choraram alguém, perderam algo essencial e que já não ousam esperar que a vida possa retornar onde veem apenas ausência. Esta passagem acompanha a jornada de Maria da escuridão do túmulo ao clamor pascal. Mostra como Deus se revela: não por meio de provas, mas por meio de um chamado. Traça, para cada um de nós, o mapa de uma conversão de perspectiva.
À beira do desastre: o contexto de João 20:1, 11-18
Devemos lembrar o que Jerusalém representava na manhã do primeiro dia após a Páscoa. A cidade ainda estava tensa. Os discípulos haviam se dispersado. Pedro o havia negado. João havia fugido. E Jesus havia sido pregado numa cruz — uma morte pública e humilhante, reservada para criminosos comuns. Para aqueles que o amavam, foi devastador. Não uma morte comum: uma morte escandalosa.Maria Madalena está entre aqueles que permaneceram até o fim, aos pés da cruz (Jo 19,25). Ela viu. Ela soube. E, no entanto, ao amanhecer, retornou ao túmulo. Este é o amor que não sabe para onde ir, mas vai mesmo assim. O texto especifica: "ainda estava escuro". Esta não é apenas uma referência temporal — é uma coordenada espiritual. Ela caminha na escuridão, tanto interior quanto exterior.
Ao ver a pedra removida, sua primeira reação não é de fé, mas de pânico. Ela corre para contar a Pedro e João (Jo 20,2), depois retorna. E ali, sozinha, permanece. De pé. Chorando. Essa quietude de Maria diante do túmulo vazio é uma das imagens mais humanas de todo o Evangelho: ela já não sabe para onde ir, então permanece onde viu morrer aquele a quem amava.
Os dois anjos que lhe falam — um sentado à cabeceira, o outro aos pés do lugar onde jazia o corpo — formam uma imagem que a tradição frequentemente compara à Arca da Aliança (Êxodo 25:18-22), onde dois querubins emolduravam o lugar da presença divina. Entre eles, Deus outrora falava. Entre eles, agora, há um espaço vazio. E é nesse espaço que algo novo será dito.
João é o evangelista do simbolismo profundo. Nada ali é por acaso. Maria chora, inclina-se em direção ao túmulo — a palavra grega klaiô denota um choro audível, um soluço. Não uma lágrima discreta. Uma dor expressa em voz alta. E é justamente nesse choro que o encontro acontecerá. Deus não pede a Maria que pare de chorar antes de se revelar a ela. Ele vem encontrá-la em suas lágrimas.
O enigma do nome: como Deus se revela
O paradoxo central deste texto pode ser resumido em uma única frase: Maria está diante do Cristo Ressuscitado e não o reconhece. Ela fala com ele. Ela lhe faz uma pergunta. Ela acredita estar lidando com um jardineiro. Isso não é distração — é incapacidade. A morte de Jesus havia bloqueado algo dentro dela. A dor profunda forja certezas terríveis: ele está morto, ele está morto, ele está morto. E quando o morto está diante de você, seu cérebro ainda diz: ele é um jardineiro.
Este momento possui uma extraordinária precisão psicológica. Todos nós fazemos isso. Buscamos a Deus onde o conhecemos, em formas antigas, em lugares familiares — e quando ele se apresenta de maneira diferente, não o vemos. Sentimos falta dele. Continuamos a chorar diante de um túmulo vazio, perguntando à primeira pessoa que encontramos onde o corpo foi levado.
O que quebra a cegueira de Maria não é uma aparição espetacular, nem uma luz ofuscante, nem uma demonstração de força. É uma palavra. Seu nome: "Maria". Uma única palavra. E essa palavra faz tudo. Em hebraico — o texto especifica que ela responde em hebraico — ela diz Rabbouni, que transcende a simples tradução "Mestre". É a forma intensificada e afetuosa de rabino: "meu mestre", "meu amado mestre". A linguagem íntima ressurge. A voz é reconhecida. Não é o rosto que a convence, mas a voz.
O Evangelho de João começa com o Verbo: "No princípio era o Verbo" (João 1:1). E termina com uma palavra que reabre o mundo: um nome próprio. Não é coincidência. O Verbo criador que fez todas as coisas retorna como uma palavra pessoal que transforma uma mulher. A ressurreição, neste Evangelho, acontece por meio de um chamado íntimo.
João, o pastor, havia escrito no mesmo Evangelho: «Ele chama as suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora» (João 10:3). Esta cena no jardim é o cumprimento dessa promessa. O Bom Pastor chama Maria pelo nome, e ela se vira. A palavra grega straphēisa — virar-se — aparece duas vezes nesta passagem. É mais do que um movimento físico: é uma conversão.
O jardim, a mulher e o recomeço do mundo
Um lugar que fala antes mesmo das palavras chegarem.
João descreve a cena num jardim (Jo 19:41). Isso não se explica apenas pela geografia. É um sinal para o leitor atento ao Antigo Testamento: o primeiro jardim é o Éden. E no primeiro jardim, havia também uma mulher, num novo começo, um encontro que mudaria tudo — mas na direção da Queda. Aqui, o jardim torna-se o lugar de uma nova criação.
Em Gênesis, Adão e Eva ouvem a voz de Deus caminhando no jardim e se escondem (Gn 3:8). Maria, porém, não se esconde. Ela busca. Ela permanece ali, em meio às lágrimas, e quando ouve a voz, se vira. É a mesma cena, mas em um reflexo. Aquilo de que a primeira mulher fugiu no jardim, Maria recebe no jardim. O medo se transforma em reconhecimento. A fuga em entrega.Há algo profundamente restaurador nesse recurso narrativo. João não o enfatiza em excesso — basta observar. A ressurreição não ocorre no Templo, nem na sinagoga, nem em um lugar de poder. Ela ocorre em um jardim, a uma mulher, antes do amanhecer, em meio a lágrimas. Como se Deus quisesse mostrar que é ali — no frágil, no oculto, no íntimo — que a renovação surge.
O erro de Maria e sua profunda verdade
Há algo de belo no fato de Maria confundir Jesus com o jardineiro. Ela não está tão enganada quanto se poderia pensar. Na tradição patrística, Ambrósio de Milão observou que Jesus é, de certa forma, o jardineiro de sua própria ressurreição — aquele que cultiva a nova criação. Maria vê com clareza sem saber. Ela procura um corpo morto e está na presença do Senhor da vida.Essa confusão também revela algo universal sobre nossa maneira de buscar a Deus. Buscamos a Deus com base em categorias do passado — onde o vimos, onde o esperávamos. E, no entanto, Ele se apresenta diante de nós de uma forma inesperada: nas palavras de um amigo que fala a verdade, no silêncio da oração onde Ele já não era esperado, em um humilde ato de serviço que considerávamos corriqueiro. O Ressuscitado se revela incógnito, e é o amor que, em última análise, o reconhece.
«Não me impeçam»: a liberdade do Ressuscitado
Quando Maria reconhece Jesus, sua primeira reação é se agarrar a ele. O texto diz que ela o "segura firmemente" — ou tenta fazê-lo (João 20:17). Jesus lhe diz: "Não me segure". Essa afirmação frequentemente intriga os comentaristas. Como podemos explicar a rejeição de Jesus a esse gesto de amor?
A resposta está no restante da frase: «pois ainda não subi para o Pai». Isso não é uma recusa em ser amada. É um convite a amar de uma maneira diferente. O relacionamento que Maria tinha com Jesus — um relacionamento de proximidade física, de presença tangível, de comunhão íntima — precisa ser transformado. O Ressuscitado não é um morto que voltou à vida como antes. Ele entrou em uma outra forma de ser. E para que Maria se una a Ele nessa nova forma de relacionamento, ela precisa se desapegar da antiga.
Este momento é um dos mais dolorosos de todo o Evangelho, se o lermos com sinceridade. O amor mais forte que se possa imaginar — uma mulher que seguiu este homem até a cruz, que voltou sozinha ao túmulo, que o procurou chorando — e a primeira coisa que ele lhe diz é: não se apegue a mim. É difícil. E é verdade. Porque a fé cristã não se trata de se agarrar ao passado. Trata-se de aceitar uma nova presença interior, invisível.

O que realmente muda: da caverna às ações cotidianas
A cena do jardim não deve ficar restrita ao jardim. Jesus disse claramente: "Ide ter com meus irmãos". O encontro com o Ressuscitado sempre leva a um envio. Não é uma experiência para ser saboreada sozinho no próprio canto.
Em nossas vidas pessoais. Para alguém que está passando por um luto — a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento, o fracasso de um projeto — este texto diz algo específico: sua dor é visível. Deus não pede que você a apague antes de se revelar a você. Ele vem ao seu encontro onde você está chorando. A pergunta "Por que você está chorando?" não é uma repreensão: é um convite para expressar o que você está carregando.
Nos relacionamentos, Maria só reconhece Jesus quando ele a chama pelo nome. Esse detalhe nos convida a refletir sobre o poder de sermos chamados pelo nosso verdadeiro nome — não por um papel, uma função ou um rótulo, mas por quem realmente somos. Em todo relacionamento genuíno, existe aquele momento em que alguém nos chama pelo nosso nome mais profundo, e nos viramos porque finalmente nos sentimos vistos.
Na vida da Igreja, Maria recebe uma missão: ir e proclamar o Evangelho aos discípulos. Ela não é convidada a permanecer na experiência mística. A Igreja nasce aqui, neste ato de envio. O Evangelho não é possuído, é transmitido. E é transmitido como Maria o transmitiu: por meio de um testemunho pessoal — "Eu vi o Senhor!" — não por meio de um discurso, não por meio de um programa, mas pela narração de um encontro.
Na vida social, uma mulher como a primeira testemunha da ressurreição, em uma cultura onde o testemunho feminino não tinha validade legal — isso é uma inversão deliberada. O Evangelho não escolhe os poderosos para anunciar a maior notícia da história. Ele escolhe uma mulher em lágrimas, em um jardim, antes do amanhecer. Isso diz algo sobre como Deus vê os padrões humanos de credibilidade.
O que a tradição compreendeu neste texto
Gregório Magno, em suas Homilias sobre o Evangelho, desenvolveu com notável força o paradoxo de Maria: ela busca Aquele que não perdeu. «O amor ardente a fez buscar o que ela pensava ter perdido, enquanto Ele estava ali, plenamente presente.» Para Gregório, a perseverança de Maria — ela permanece, chora, continua a buscar — é em si uma forma de fé. Ela não crê, mas continua a buscar. E é na busca que ela encontra. Essa percepção pastoral é imensamente útil para aqueles que atravessam períodos de aridez espiritual: continuar a buscar já é uma forma de estar no caminho. Na tradição mística medieval — particularmente nos escritos de Hugo de São Vítor e seus sucessores — Maria Madalena tem sido interpretada como a figura quintessencial da alma contemplativa. Suas lágrimas não são um sinal de fracasso; são a expressão de um anseio tão intenso que nada menos que o próprio Deus pode extingui-lo. O amor místico é estruturalmente incompleto até a união, e Maria, ao buscar o corpo de Jesus no túmulo, é a imagem da alma que não se contenta com nenhum substituto. Marie-Madeleine Dauphin (Irmã Marie de la Providence), uma das fundadoras do século XIX, frequentemente citava essa passagem para mostrar que a missão sempre surge de um encontro pessoal com Cristo. Não se anuncia um programa, mas sim o que se viu. Essa percepção, que ainda hoje influencia a teologia da evangelização, tem origem no grito de Maria: "Eu vi o Senhor".«Lectio divina
«Disse-lhe Jesus: 'Maria!' Virando-se, ela respondeu em hebraico: 'Raboni!' (que significa Mestre).' (João 20:16)
Ele pronunciou uma única palavra, e tudo mudou. Qual é o nome que você carrega no fundo do seu ser — não aquele que os outros veem, mas aquele que revela quem você realmente é? Você já sentiu uma voz chamando você desse lugar, no silêncio ou na dor, e não ousou se virar? O que você ainda está procurando — mesmo quando já não sabe bem por que continua procurando?
Senhor, tu sabes como eu choro, mesmo quando não demonstro nada. Tu sabes o que perdi, o que pensei ter e que já não existe. Sou como Maria diante daquele túmulo vazio: procuro nos lugares certos, mas já não te encontro. Dize o meu nome, tu que me conheces antes de eu falar. Deixa-me voltar-me e reconhecer a tua voz no que me acontece. E quando eu te encontrar — ou melhor, quando me encontrares — ensina-me a abandonar a forma que escolhi para ti, para receber a forma que tu mesmo escolhes.
Uma mulher em um jardim, na hora em que o céu passa do preto ao cinza, ouve seu nome — e o mundo recomeça.
Como inserir este texto com o seu corpo
Este texto não foi feito para ser lido apenas uma vez. Ele foi feito para ser vivido. Eis como começar.
Primeiro passo: encontre seu túmulo. Sente-se em silêncio. Pergunte a si mesmo em voz baixa: o que eu perdi, recentemente ou há muito tempo, e que ainda me faz falta? Um ente querido, uma certeza, uma habilidade, um relacionamento? Nomeie. Anote, se quiser.
Segundo passo: permaneça diante dele. Não tente resolvê-lo. Maria não resolve nada no início — ela permanece, chora, contempla o vazio. Permita-se, em sua oração, permanecer diante desse vazio sem fugir, sem preencher o silêncio depressa demais.
Terceiro passo: ouça as perguntas. Duas vezes no texto, Deus (por meio de anjos e depois pessoalmente) faz a mesma pergunta: «Por que você está chorando?» Deixe essa pergunta entrar em você. Não para respondê-la teoricamente, mas para sentir o que ela desperta dentro de você.
Quarto passo: Esteja atento ao chamado. Em sua oração ou em sua vida diária esta semana, esteja atento ao momento em que algo lhe parecer um chamado pelo seu verdadeiro nome — uma frase de um amigo, um versículo, um evento inesperado. Anote.
Quinto passo: ir. Maria recebe uma mensagem. Ao final da sua lectio, pergunte-se: a quem devo me dirigir, a quem tenho algo a dizer, com base no que recebi?
O que a urgência mundial não compreende
Nossa era luta contra as lágrimas. Chorar em 2025 significa perder o controle. Administramos nosso luto, otimizamos nossa recuperação e "trabalhamos em nós mesmos". Aplicativos de meditação ajudam a lidar com a tristeza em doze passos. A cultura terapêutica, por mais benéfica que seja em muitos aspectos, às vezes tem dificuldade em permitir que a dor dure o tempo necessário — porque a dor é improdutiva.
Maria Madalena rejeita veementemente essa lógica. Ela chora. Ela permanece ali. Ela não tenta controlar nada. Ela está num estado que nossos contemporâneos chamariam prontamente de "luto complicado". E é precisamente nesse estado que o Cristo Ressuscitado vem ao seu encontro. Este texto nos diz que as lágrimas não são um problema a ser resolvido: são um ponto de encontro.
Há também algo a se dizer sobre uma cultura que busca o espetáculo. A ressurreição mais importante da história não é celebrada com grande pompa. Ela é revelada em um jardim, ao amanhecer, a uma única mulher, em um sussurro. Em uma época em que a comunicação religiosa muitas vezes busca produzir emoções fortes, eventos memoráveis e estatísticas impressionantes, este texto diz: Deus não mudou seus caminhos. Ele ainda permanece incógnito. Ele ainda chama pelo nome. Ele ainda escolhe os amanheceres sombrios e os corações sangrando.
A pergunta "Quem você está procurando?" talvez seja a mais relevante para o nosso tempo. Uma geração que busca experiências, significado, intensidade, autenticidade — e que muitas vezes olha na direção errada, ou sem perceber que está procurando por Alguém. Este texto não condena essa busca: ele lhe dá um nome, um endereço, uma voz.
Por fim, o fato de Maria ser enviada — "Vai ter com os meus irmãos" — diz algo essencial sobre o que a fé não é. Não é uma experiência privada para ser mantida em uma bolha. É relacional por natureza. E em uma Igreja que às vezes busca novas formas de missão, esta história diz: comece dando testemunho do que você viu. Não do que você pensa. Do que você viveu.
Oração
Senhor da aurora e do jardim,
Você sabe o que é chegar a algum lugar de mãos vazias,
quando esperávamos encontrar aquilo que ainda amávamos onde o tínhamos deixado.
Você sabe o que é procurar no lugar certo e encontrar apenas ausência?
A cama vazia, o lugar vazio à mesa, o silêncio onde antes havia uma voz.
Marie veio buscar um corpo.
E foi você que ela encontrou.
Ela estava procurando o passado.
E você lhe deu o futuro.
Eu também venho com os braços cheios daquilo que não quero perder.
Venho trazendo comigo meu luto não resolvido, minhas esperanças desorganizadas,
minhas certezas que já não se sustentam completamente.
Ensina-me a ficar de pé diante do túmulo vazio.
Sem fugir, sem preencher o silêncio muito depressa.
Ensina-me a inclinar a cabeça na direção daquilo que me falta.
sem acreditar que a ausência tenha a última palavra.
E quando você pronunciar meu nome —
esse nome que só você pronuncia como deve ser pronunciado —
Deixe-me virar-me.
Deixe-me reconhecer sua voz.
Em tudo que eu quase perdi:
na frase que me foi dita esta manhã,
na luz que se filtrava pelas árvores,
no amigo que sabia o que dizer
Numa altura em que já não esperava nada de ninguém.
E quando você me disser: vá —
Dê-me a coragem para não ficar aqui.,
Para saborear o túmulo vazio como uma relíquia.
Envia-me aos meus irmãos.
Envie-me estas simples palavras:
«"Eu vi. Eu ouvi. Venha e veja."»
Você é o jardineiro deste novo mundo.
Eu também quero ser,
um pedacinho desta terra que você cultiva.
«"Eu vi o Senhor"»
Maria Madalena não chegou aos seus discípulos com um dossiê teológico. Ela não tinha provas, nenhum vídeo, nenhuma testemunha que corroborasse sua história. Ela tinha uma experiência e quatro palavras: "Eu vi o Senhor".«
Esta é a forma mais simples de testemunho cristão. E é a mais poderosa. Não porque garanta convencimento — nem mesmo os próprios discípulos acreditariam nela imediatamente. Mas porque revela uma verdade sobre como a fé é transmitida. Ela não é transmitida por meio de demonstrações. É transmitida pela narração de um encontro.
Este texto lhe faz a mesma pergunta que fez a Marie: quem você está procurando? E a resposta não é primordialmente intelectual. Ela se encontra ao se voltar para o outro lado — ao prestar atenção naquilo que lhe chama pelo seu verdadeiro nome no tecido da sua vida cotidiana.
O Ressuscitado não pede que você entenda antes de acreditar. Ele pede que você se vire. Que deixe sua voz entrar. E então, que vá.
1. Durante esta semana, reserve trinta segundos por manhã para nomear uma coisa que você está buscando — em Deus, em sua vida, em seu relacionamento com os outros.
2. Leia João 20:11-18 em voz alta uma vez, lentamente, imaginando que você está naquele jardim ao amanhecer, antes que a luz realmente apareça.
3. Escreva em um caderno sobre um momento recente em que você achou ter ouvido seu nome verdadeiro — e como se sentiu.
4. Em um relacionamento difícil, pratique a arte de chamar o outro pelo seu verdadeiro nome — não pelo seu papel, não pelas suas falhas, mas sim por aquilo que ele tem de melhor.
5. Permita-se chorar o que precisar chorar, sem pressa de "seguir em frente" — e observe se algo muda com essa aceitação da dor.
6. Identifique um "irmão" a quem você possa simplesmente dizer o que viu ou ouviu de Deus ultimamente — não um discurso, apenas uma frase verdadeira.
7. Leia a oração desta palavra uma vez por dia, durante três dias, mudando apenas uma coisa: o nome que você lhe der no momento em que imaginar se ouvindo ser chamado(a).
Práticas
- Todas as manhãs desta semana, Reserve trinta segundos para nomear uma coisa que você está buscando — em Deus, em sua vida, em seu relacionamento com os outros.
- Leia João 20:11-18 em voz alta. Imagine-se, lentamente, neste jardim ao amanhecer, antes mesmo da luz surgir de fato.
- Escreva em um caderno. Um momento recente em que você achou ter ouvido seu nome verdadeiro — e o que você sentiu.
- Em um relacionamento difícil, pratica a arte de chamar o outro pelo seu verdadeiro nome — não pelo seu papel, não pelas suas falhas, mas sim pelo que ele tem de melhor.
- Permita-se chorar O que você precisa é vivenciar o luto, sem pressa para "seguir em frente" — e observar se algo muda nessa aceitação da dor.
- Identifique um "irmão"« Para quem você poderia simplesmente dizer o que viu ou ouviu de Deus ultimamente — não um discurso, apenas uma frase verdadeira.
- Leia novamente a oração desta palavra. Uma vez por dia, durante três dias, mudando apenas uma coisa: o nome que você dá a si mesmo no momento em que imagina se ouvir sendo chamado.
Referências
Antiguidade e os Padres (séculos I-VIII)
- Gregório Magno, Homilias sobre o Evangelho, homilia 25 (sobre Jo 20, 11-18), trad. R. Étaix, Paris, Cerf, 2005.
- Ambrósio de Milão, De institutione virginis, X, PL 16 — sobre Maria Madalena como figura do novo jardim.
Idade Média e Escolástica (séculos IX-XV)
- Hugo de São Vítor, De arrha animae, trad. P. Sicard, Paris, Cerf, 1997 — a alma em busca do amado ausente.
- Tomás de Aquino, Comentário sobre o Evangelho de João, cap. 20, aula III.
Contemporâneo (séculos XX-XXI)
- Xavier Léon-Dufour, Leitura do Evangelho segundo João, t. IV, Paris, Seuil, 1996.
- Sandra Schneiders, Escrito para que vocês creiam. Encontrando Jesus no quarto Evangelho., Nova Iorque, Crossroad, 2003 — em particular o capítulo sobre Maria Madalena como figura da Igreja.
- Jean-Noël Aletti, A arte de contar a história de Jesus Cristo. A narrativa do Evangelho de Lucas., Paris, Seuil, 1989 (para o método narrativo aplicável a Jean).
✝ Referências bíblicas
1 trecho · 1 livro
Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito. (João 3:16)
O Evangelho da Palavra: uma teologia profunda da Encarnação e dos sinais de Jesus.
→ Explore o Códice John- Nenhuma criatura pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo (Romanos 8:35, 37-39).
- Encontrei aquele que minha alma deseja (Cântico dos Cânticos 3:1-4a)
- Meu Senhor e meu Deus! (João 20:24-29)
- Oito dias depois, Jesus veio (João 20:19-31)
- “Eu vi o Senhor!”, e ela contou o que ele lhe tinha dito (João 20:11-18).
- O que Gregório Magno viu no silêncio das mulheres que seguiam Jesus.
- Ouvir o nome dele na voz do jardineiro
- Buracos de luz: quando as feridas de Cristo se tornam janelas para Deus.
- «"Meu Senhor e meu Deus!" — O que Tomé compreendeu e que ainda hoje lutamos para entender.
- A cruz não é uma opção: ela está no cerne de toda vocação cristã.
- O portador do paralelo 30: o que a beatificação de Fulton Sheen revela sobre a verdadeira medida da evangelização.
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