- O Reino, o cerne da teologia bíblica.
- Fundamentos do Reino no Antigo Testamento
- O Reino nos Evangelhos: proximidade, mistério, ética.
- O programa de Jesus: o Evangelho do Reino
- Entrando no Reino: conversão, novo nascimento, pobreza espiritual
- As Parábolas do Reino: Crescimento Oculto e Juízo Final
- O Sermão da Montanha: Carta Ética do Reino
- O Reino «já aqui»: a presença inaugurada do reinado de Deus.
- Lucas 11:20: O Reino como um poder em ação
- Lucas 17:20-21: Um Reino entre vocês
- Brinde e experiência atual: Lucas 12:32; Romanos 14:17; Colossenses 1:13
- O Reino "ainda não": herança, entrega e plenitude.
- Um Reino para Herdar: Mateus 25:34 e os Textos de ’Herança«
- 1 Coríntios 15:24-28: a entrega do Reino ao Pai
- Apocalipse 11:15 e o cumprimento real: o Reino do mundo se torna o Reino de Deus.
- Reino, Cristo, Igreja, Espírito
- Cristo, crucificado e exaltado rei
- Igreja e Reino: sinal, instrumento, antegosto
- Espírito e Reino: Nascimento divino e promessa do futuro
- Vivendo entre o "já" e o "ainda não"«
O Reino, o cerne da teologia bíblica.
É impressionante notar como o conceito do Reino de Deus é central na pregação de Jesus, embora permaneça vago para muitos cristãos. De fato, Jesus resume sua mensagem inaugural com estas palavras: «Chegou a hora, e o Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam no evangelho» (Marcos 1:14-15). Nos Evangelhos Sinópticos, ele «proclama o evangelho do reino» (Mateus 4:23; cf. 9:35; 24:14), promete o Reino aos pobres e perseguidos (Mateus 5:3, 10) e chama seus discípulos a «buscarem primeiro o reino de Deus e a sua justiça» (Mateus 6:33). Contudo, quando questionados sobre o que é precisamente esse Reino, as respostas variam de uma realidade puramente interna, uma espécie de sinônimo para «céu», a uma utopia espiritual difícil de conectar com as realidades concretas da história.
Essa indeterminação não é apenas pastoral, mas também teológica. Na Bíblia, o Reino se refere ora ao reinado eterno de Deus sobre a criação (Sl 103:19), ora à realeza davídica e à esperança messiânica (2 Sm 7:12-16; Sl 2), ora ao "Reino dos Céus" anunciado e manifestado por Jesus (Mt 4:17; 13), e ora ainda a uma herança futura prometida aos crentes (Mt 25:34; 1Co 6:9-10; 2Pe 1:11). Além disso, alguns textos afirmam que o Reino já chegou e está "entre vós" (Lc 11,20; 17,21), enquanto outros o situam resolutamente no futuro, quando "o reino do mundo será dado ao nosso Senhor e ao seu Cristo" (Ap 11,15) ou quando Cristo entregará o Reino ao Pai "para que Deus seja tudo em todos" (1 Cor 15,24-28). Aqui nos deparamos com uma tensão estruturante na escatologia bíblica: o Reino é uma realidade presente ou um evento futuro, ou ambos?
Os debates contemporâneos refletem essa complexidade. Algumas abordagens enfatizam um Reino essencialmente futuro, identificado com o Juízo Final e a bem-aventurança celeste. Outras, ao contrário, insistem em sua dimensão presente, chegando a identificá-lo com a Igreja ou com a ação histórica de Deus nas transformações sociais. Entre esses dois polos, uma ampla tradição exegética — frequentemente resumida pela expressão "escatologia inaugurada" — afirma que o Reino foi verdadeiramente inaugurado pela primeira vinda de Cristo, sem ainda ter alcançado sua consumação final. Dentro dessa estrutura, a questão não é mais escolher entre "já" e "ainda não", mas compreender como se articulam a presença efetiva do Reino de Deus e a expectativa de seu cumprimento.
Este dossiê situa-se explicitamente dentro dessa perspectiva. Propõe-se ler todo o testemunho bíblico considerando o Reino não primordialmente como um "lugar" ou um estado subjetivo, mas como o reinado efetivo de Deus sobre um povo, em um mundo que Ele criou e que Ele pretende renovar. Esse reinado encontra sua origem na confissão do Antigo Testamento de Deus como rei da criação, é esclarecido na aliança davídica e nas esperanças proféticas, é proclamado e manifestado por Jesus em sua pregação e ações, continua na vida da Igreja sob a guia do Espírito e será levado à sua plenitude quando Deus for "tudo em todos" (1 Coríntios 15:28). Para demonstrar isso, seguiremos um caminho que partirá das raízes do Reino no Antigo Testamento, passará pela pregação de Jesus e pela tensão "já aqui / ainda não", e então se expandirá para Paulo, o restante do Novo Testamento e as questões sistemáticas (Cristologia, Eclesiologia, Pneumatologia, Ética).

Fundamentos do Reino no Antigo Testamento
Deus, rei, criador e soberano
Mesmo antes do surgimento da expressão "Reino de Deus", o Antigo Testamento já confessava Deus como rei soberano sobre a criação e a história. O salmista proclama: "O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo" (Salmo 103:19), associando a realeza divina a um governo universal e permanente. Outros salmos que celebram a realeza (Salmos 93, 96, 97 e 99) comemoram esse reinado como fundamento da estabilidade e da ordem moral do mundo: "O Senhor reina... o mundo está firmemente estabelecido; não pode ser abalado" (Salmo 93:1; 96:10).
Essa realeza de Deus não é uma mera metáfora religiosa, mas uma afirmação estruturante: o Deus de Israel é apresentado como o verdadeiro soberano, em contraposição às reivindicações de impérios e reis terrenos. Diversos estudos demonstraram que esses salmos se situam no contexto das liturgias do Templo, onde Javé é reconhecido como rei acima de todo poder humano, sendo seu santuário, em certo sentido, o "palácio" desse rei celestial. Assim, em consonância com a teologia bíblica contemporânea, podemos falar de um "Reino" já presente em nível cósmico: Deus reina como criador, sustentando o universo por meio de sua palavra, julgando as nações e defendendo seu povo.
A narrativa da criação em Gênesis 1–2, frequentemente lida hoje sob essa perspectiva real, aponta na mesma direção. Ali, Deus estabelece a humanidade como vice-rei, incumbida do domínio sobre as criaturas (Gênesis 1:26–28), o que alguns autores interpretam prontamente como uma delegação da soberania real de Deus à humanidade. O "mandato cultural" conferido à humanidade pressupõe, portanto, um Reino original onde Deus reina sobre o seu povo em um lugar que Ele preparou para eles, sendo o Éden entendido como um santuário real primitivo. O "reinado de Javé" não é, portanto, uma ideia posterior, mas a estrutura abrangente dentro da qual toda a narrativa bíblica se desenrola.
Realeza davídica e esperança messiânica
Nesse contexto de realeza divina universal, a instituição da realeza davídica é enxertada na história de Israel. Quando Deus promete a Davi «uma casa» e um trono estável, Ele não renuncia à sua própria realeza, mas escolhe intermediá-la por meio de um rei humano «segundo o seu coração». A passagem-chave é 2 Samuel 7:12-16, onde a aliança davídica é formulada em termos de descendentes, um trono e um reino «para sempre»: «Estabelecerei para sempre o trono do seu reino… A tua casa e o teu reino serão estabelecidos para sempre diante de ti; o teu trono será estabelecido para sempre». Como muitos comentaristas enfatizam, essa promessa claramente se estende além da duração do reinado de Salomão e abre caminho para uma esperança que transcende a história imediata de Judá.
Os Salmos reais reinterpretam e ampliam essa promessa. O Salmo 2 apresenta o rei como um «filho» que Deus gera e a quem Ele dá «as nações como herança» (Salmo 2:7-8), enquanto o Salmo 110 descreve um rei assentado à direita de Deus, participando de uma soberania que se estende para além das fronteiras de Israel. A literatura profética continua esse tema anunciando um «Renovo justo» que reinará com justiça (Jeremias 23:5), uma criança sobre cujos ombros repousará o poder e que será chamada de «Príncipe da Paz» (Isaías 9:5-6). Nesses textos, a realeza davídica torna-se o fundamento de uma esperança messiânica: aguarda-se um rei que encarnará plenamente o reino de Deus, restaurará a justiça e a paz e reunirá as nações.
Finalmente, as visões de Daniel conferem a essa esperança uma dimensão escatológica e universal. Em Daniel 2:44, há menção de um "reino que o Deus do céu estabelecerá" e que "jamais será destruído", diferentemente de todos os reinos humanos subsequentes. Em Daniel 7:13-14, esse reino é confiado a "alguém semelhante ao Filho do Homem", a quem são dados "domínio, glória e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o sirvam". Essa figura do "Filho do Homem", recebendo um reinado eterno do Ancião de Dias, fornecerá uma estrutura decisiva para a cristologia dos Evangelhos, onde Jesus se designará como o Filho do Homem que veio para estabelecer o Reino.
Assim, podemos dizer que, no Antigo Testamento, o Reino de Deus já apresenta um aspecto duplo: por um lado, a realeza eterna de Deus sobre a criação; por outro, uma realeza davídica chamada a representar e manifestar esse reinado na história de Israel. A aliança davídica, longe de competir com a realeza divina, visa ser sua expressão histórica: o rei humano "assenta-se no trono do Senhor" (1 Crônicas 29:23) e exerce a realeza em nome de Deus. Quando essa realeza terrena falha, a promessa de um reino eterno se desloca para o futuro messiânico e escatológico, preparando assim o terreno para a pregação de Jesus sobre a vinda do Reino de Deus.

O Reino nos Evangelhos: proximidade, mistério, ética.
O programa de Jesus: o Evangelho do Reino
Os Evangelhos Sinópticos colocam claramente o Reino no centro do programa de Jesus. Marcos resume o início do seu ministério da seguinte forma: «Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando as boas-novas de Deus, dizendo: “Chegou a hora, e o Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas-novas!”» (Marcos 1:14-15). Mateus fala da mesma pregação: «A partir daquele momento, Jesus começou a pregar, dizendo: “Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo”» (Mateus 4:17), e resume a atividade de Jesus com esta frase: «Ele anunciava as boas-novas do Reino» (Mateus 4:23; 9:35; cf. 24:14). Lucas, por sua vez, registra Jesus dizendo: «É necessário que eu anuncie as boas-novas do Reino de Deus também às outras cidades, pois para isso fui enviado» (Lucas 4:43).
Esses textos programáticos já lançam as bases para diversos elementos teológicos. Primeiro, o Reino é anunciado como "boas novas": não se trata simplesmente de uma advertência de juízo, mas de uma proclamação da graça que requer conversão e fé. Segundo, a expressão "o tempo está cumprido" enfatiza que a vinda de Jesus marca um ponto de virada na economia da salvação: as promessas feitas a Israel, particularmente aquelas referentes ao reinado de Deus, entram em uma nova fase. Finalmente, a frase "o reino de Deus está próximo" (ἤγγικεν ἡ βασιλεία τοῦ θεοῦ) tem sido amplamente comentada: para muitos exegetas, o tempo perfeito do verbo ἐγγίζω indica não apenas proximidade temporal, mas também o fato de que o reinado de Deus já começou a se manifestar na pessoa e nas ações de Jesus.
Entrando no Reino: conversão, novo nascimento, pobreza espiritual
Embora o Reino seja proclamado como boas novas, a entrada nele permanece condicionada a uma transformação radical. Na conversa com Nicodemos, o Evangelho de João expressa isso em termos de novo nascimento: «Digo-lhes a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo… e ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito» (João 3:3, 5). Jesus, portanto, vincula intimamente o Reino à regeneração pelo Espírito, uma conexão que dará origem a uma rica reflexão pneumatológica no restante do Novo Testamento.
Em Mateus, são as Bem-aventuranças que delineiam o perfil daqueles a quem o Reino «pertence»: «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus… Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus» (Mt 5,3.10). A dupla ocorrência desta promessa inclusiva emoldura toda a série das Bem-aventuranças e sinaliza que a pobreza espiritual, a mansidão, a sede de justiça, a misericórdia e a pureza de coração constituem as características daqueles que já vivem sob o governo de Deus. Um pouco mais adiante, Jesus clama por uma prioridade absoluta: «Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas» (Mt 6,33), ligando intimamente o Reino e a justiça (δικαιοσύνη). A entrada no Reino, portanto, não é simplesmente um «passe» póstumo, mas a adoção de uma orientação de vida centrada na justiça de Deus, recebida e praticada.
As Parábolas do Reino: Crescimento Oculto e Juízo Final
As parábolas são o lugar privilegiado onde Jesus desvenda o mistério do Reino. Mateus 13, em particular, reúne uma série de parábolas introduzidas pela fórmula: «O reino dos céus é semelhante a…» (Mt 13,24-33.44-52). Entre elas, estão a parábola do joio no meio do trigo, a parábola do grão de mostarda, a parábola do fermento, a parábola do tesouro escondido, a parábola da pérola de grande valor e a parábola da rede lançada ao mar. Essas imagens variadas descrevem, cada uma à sua maneira, um reinado que se desenrola discretamente e pacientemente, incluindo também um elemento de seleção e julgamento no final.
As parábolas da semente de mostarda e do fermento enfatizam o crescimento oculto do Reino: o que começa como algo muito pequeno torna-se uma árvore onde os pássaros vêm fazer ninho, ou faz toda a massa crescer. Isso sugere que o reino de Deus, tal como Jesus o encena, ainda não se manifesta no poder visível esperado por muitos de seus contemporâneos, mas num processo frequentemente imperceptível, porém não menos irresistível. A parábola do joio e da rede, por outro lado, enfatiza a coexistência presente do bem e do mal no campo do mundo ou no "reino" em seu estado atual, uma coexistência que só será resolvida no tempo da colheita final ou da separação. Diversos comentadores apontam que essas parábolas já introduzem a ideia de um Reino presente de modo "misterioso" (ou "secreto"), distinto de sua futura manifestação em glória.
O Sermão da Montanha: Carta Ética do Reino
No Evangelho de Mateus, o Sermão da Montanha (Mt 5-7) pode ser lido como a grande carta ética do Reino. O discurso começa com as Bem-aventuranças, que prometem o Reino aos pobres de espírito e aos perseguidos por causa da justiça (Mt 5,3.10), e termina com a advertência: «Nem todo aquele que me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus» (Mt 7,21). Entre esses dois pontos, Jesus desenvolve uma justiça «maior do que a dos escribas e fariseus» (Mt 5,20), composta de reconciliação, verdade interior, pureza de visão, amor aos inimigos e confiança radical na providência divina.
No cerne do Sermão da Montanha, a Oração do Senhor vincula explicitamente o Reino e a vontade de Deus: «Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu» (Mt 6,10). Essa justaposição sugere que o Reino não se limita a um território ou a um estado futuro, mas consiste no cumprimento da vontade de Deus na vida dos fiéis e no mundo. O Sermão da Montanha, portanto, delineia os contornos de uma existência «sob o Reino», marcada pela obediência filial, pela confiança, pelo perdão e por uma justiça que reflete o caráter do Rei. Viver segundo essa ética já é participar da realidade do Reino, mesmo que ela permaneça oculta aos olhos do mundo.

O Reino «já aqui»: a presença inaugurada do reinado de Deus.
Lucas 11:20: O Reino como um poder em ação
Uma das passagens mais impactantes sobre a presença atual do Reino encontra-se em Lucas 11. Após ser acusado de expulsar demônios «por Belzebu», Jesus responde: «Mas, se eu expulso demônios pelo dedo de Deus, então o Reino de Deus já chegou até vocês» (Lucas 11:20). A lógica é clara: se os exorcismos de Jesus são realizados pelo poder de Deus, então demonstram que o Reino de Deus já está em ação, aqui e agora, contra o Reino de Satanás. Alguns comentaristas apontam que a expressão «dedo de Deus» ecoa o Êxodo (Êxodo 8:15; 31:18), onde se refere à ação criadora e salvadora de Deus, reforçando assim a ideia de um novo êxodo em curso por meio do ministério de Jesus.
O argumento de Jesus também se baseia numa reflexão «política»: «Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado» (Lc 11,17). Se Jesus estivesse lutando contra Satanás com o poder de Satanás, o «reino» deste já estaria em colapso. Mas o que acontece é precisamente o oposto: um mais forte entra na casa do Adversário, despoja-o de seus bens e prende o «forte» (cf. Lc 11,21-22). Em outras palavras, a vinda do Reino de Deus se manifesta por um confronto direto com os poderes do mal, um confronto no qual o reino de Deus já se mostra vitorioso, mesmo que a batalha ainda não esteja terminada. Longe de ser apenas uma realidade futura, o Reino aparece aqui como uma força que invade o território do inimigo e começa a reconquistar a criação.
Lucas 17:20-21: Um Reino entre vocês
Outra passagem de Lucas esclarece a natureza dessa presença. Quando questionado pelos fariseus sobre o "quando" da vinda do Reino, Jesus responde: "O Reino de Deus não vem com aparência visível. Ninguém dirá: 'Ei-lo aqui!' ou 'Ei-lo ali!', porque o Reino de Deus está entre vocês" (Lc 17,20-21). Jesus, portanto, recusa-se a satisfazer uma curiosidade cronológica: o Reino não pode ser reduzido a um evento espetacular que possa ser situado em uma linha do tempo. Pelo contrário, ele afirma que esse Reino já está presente "no meio" de seus ouvintes, mesmo que eles não o percebam.
O texto grego, com a expressão ἐντὸς ὑμῶν, deu origem a um debate clássico: deve ser traduzido como "em vós" (a dimensão internalizada do Reino, no coração) ou "no meio de vós" (presença na pessoa de Jesus e na comunidade dos discípulos)? Muitos exegetas hoje optam pela segunda interpretação, enfatizando que Jesus se dirige aqui aos fariseus, dos quais ele não diz em nenhum outro lugar que o Reino está "neles", mas sim que o rejeitam. Nessa perspectiva, Jesus afirma que o Reino já está presente, em sua pessoa e nas ações que realiza, mas que essa presença é discreta, sem ostentação, e, portanto, pode passar despercebida por aqueles que esperam sinais deslumbrantes.
Esta passagem esclarece como devemos entender a presença do Reino: não se trata de uma realidade puramente internalizada, nem simplesmente de um futuro distante, mas de um reinado já exercido onde quer que Cristo esteja presente e seja reconhecido, onde quer que o Evangelho seja acolhido e posto em prática. O Reino está, portanto, "no nosso meio" sempre que a soberania de Deus é percebida numa comunidade de fé, em atos de cura, justiça ou reconciliação, mesmo que essa realidade muitas vezes permaneça oculta por trás do curso normal da vida da Igreja.
Brinde e experiência atual: Lucas 12:32; Romanos 14:17; Colossenses 1:13
Essa presença do Reino é ainda mais esclarecida em diversos textos que explicitamente vinculam o Reino, a dádiva gratuita e a vida nova. Lucas registra as palavras de Jesus: «Não tenham medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-lhes o Reino» (Lc 12,32). O Reino aparece aqui não como uma conquista, mas como uma dádiva, já concedida à comunidade dos discípulos, representada pela frágil imagem do «pequeno rebanho». A ênfase recai na benevolência do Pai: é a sua decisão de dar o Reino que fundamenta a confiança dos fiéis em um contexto de insegurança e perseguição.
Paulo, por sua vez, oferece uma descrição mais explícita em Romanos 14:17: «Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo». No contexto dos debates sobre comida e dias, Paulo nos lembra que o Reino não se define por observâncias rituais, mas por uma realidade espiritual que já pode ser experimentada: justiça (justiça em nosso relacionamento com Deus e com os outros), paz (reconciliação) e alegria (exultação) no Espírito. O Reino está, portanto, presente onde quer que o Espírito produza esses frutos, no coração das comunidades cristãs, muito antes de qualquer manifestação escatológica visível.
Finalmente, Colossenses 1:13 expressa a mesma ideia em termos de uma transferência de domínio: «Ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado». O vocabulário é fortemente «político»: trata-se de uma transição de um reinado para outro, de um «poder» (ἐξουσία) para um novo «reinado». O verbo está no pretérito aoristo: essa transferência já se concretizou na experiência cristã, mesmo que suas consequências ainda não sejam totalmente visíveis. Para Paulo, viver a fé já é existir sob outra soberania, a de Cristo, e, portanto, participar de um Reino que se manifesta em justiça, paz e alegria, enquanto permanece orientado para a sua plena revelação futura.
Em conjunto, esses textos permitem-nos falar, em consonância com a teologia contemporânea, de um «Reino já presente, mas ainda oculto»: veio na pessoa de Jesus, está entre nós na Igreja e na ação do Espírito, é dado como dom gratuito e como experiência de justiça, paz e alegria, mas ainda não se manifestou em glória nem foi reconhecido por todos. É essa tensão, no cerne dessa ’escatologia inaugurada«, que a seção seguinte explorará, mostrando como a Bíblia também fala do Reino como uma realidade ainda não plenamente realizada, objeto de uma esperança e herança futuras.

O Reino "ainda não": herança, entrega e plenitude.
Um Reino para Herdar: Mateus 25:34 e os Textos de ’Herança«
Embora o Reino já esteja dado e presente, o Novo Testamento também o descreve como uma herança futura reservada aos crentes. Na cena do julgamento em Mateus 25:31-46, o Filho do Homem, agora designado como «o Rei», dirige-se aos justos nestes termos: «Venham, vocês que são abençoados por meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo» (Mateus 25:34). O vocabulário da herança (κληρονομήσατε) e a menção de um Reino preparado «desde a criação do mundo» enfatizam que esse reinado futuro faz parte do plano eterno de Deus, mas ainda não foi conquistado: será recebido no momento do julgamento, diretamente ligado à maneira como os discípulos serviram a Cristo nos mais necessitados.
Muitos dos escritos de Paulo ampliam essa perspectiva. Paulo afirma, por exemplo, que "a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus" (1 Coríntios 15:50) e reitera que "os injustos não herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios 6:9-10; cf. Gálatas 5:21). A ênfase aqui é dupla: por um lado, o Reino, em sua forma final, requer uma transformação radical do ser humano, porque a condição presente, marcada pela corrupção, é incompatível com a incorruptibilidade do Reino; por outro lado, certos comportamentos excluem o indivíduo dessa herança, o que demonstra que o Reino vindouro inclui uma dimensão de discernimento e juízo moral. Por sua vez, 2 Pedro 1:11 fala de "uma entrada abundantemente concedida no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo", confirmando que, para a fé cristã, o Reino também possui uma dimensão claramente escatológica, ainda por vir.
Esses textos nos permitem distinguir, sem separá-las, a participação presente da herança futura: já podemos viver sob o reinado de Deus e experimentar as realidades do Reino, enquanto aguardamos receber a sua plena posse na vida eterna.
1 Coríntios 15:24-28: a entrega do Reino ao Pai
A passagem em 1 Coríntios 15:24-28 oferece uma perspectiva particularmente estruturante sobre o futuro do Reino. Paulo descreve a sequência final da história da salvação: «Então virá o fim, quando ele entregar o reino a Deus, o Pai, depois de haver destruído todo domínio, autoridade e poder. Pois é necessário que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… e, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então o próprio Filho se sujeitará àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos» (1 Coríntios 15:24-28).
Este texto pressupõe que Cristo já reina: «ele deve reinar até…», o que se alinha com a perspectiva do senhorio presente do Ressuscitado. Mas também descreve um «até»: enquanto todos os inimigos, incluindo a morte, não forem definitivamente derrotados, a história ainda está se desenrolando. O fim, como Paulo o concebe, não é a abolição do Reino, mas a sua entrega: Cristo entrega o Reino ao Pai, depois de ter destruído todos os poderes opositores, para que «Deus seja tudo em todos». Assim, distinguimos entre o Reino mediador de Cristo, próprio da ordem presente onde o Filho exerce a realeza recebida do Pai, e o Reino de Deus consumado, onde o reinado trinitário se manifesta sem qualquer oposição adicional.
Do ponto de vista teológico, esta passagem evita duas armadilhas: por um lado, proíbe congelar o Reino numa fase puramente presente, como se o senhorio atual de Cristo já tivesse esgotado toda a realidade do reinado de Deus; por outro lado, impede reduzir o Reino a um simples estado celestial sem história, uma vez que a entrega do Reino pressupõe um processo de subjugação de todos os poderes inimigos, culminando na destruição da morte.
Apocalipse 11:15 e o cumprimento real: o Reino do mundo se torna o Reino de Deus.
Finalmente, o livro do Apocalipse apresenta a dimensão cósmica e definitiva do cumprimento do Reino. Ao som da sétima trombeta, vozes fortes proclamam: «O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre» (Ap 11:15). Esta declaração, que ressoa como uma culminação cristológica e escatológica, afirma que o «reino do mundo» — isto é, a ordem global até então marcada pelo domínio de poderes hostis — torna-se (ou é dado) ao Senhor e ao seu Cristo. A ênfase está na transição: o que antes estava sob o controle de outras soberanias agora está unido à única realeza de Deus e do Cordeiro.
O contexto litúrgico desta cena (adoração dos vinte e quatro anciãos, ação de graças pelo fato de Deus «ter assumido o vosso grande poder e estabelecido o vosso reino») sublinha que se trata de uma tomada de posse pública, semelhante a uma entronização definitiva. Esta entronização é acompanhada, mais adiante no livro, por um julgamento das nações, a destruição da Babilônia, a derrota do dragão e das feras e o advento de um novo céu e uma nova terra, onde a voz celestial proclama: «Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens… Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima, e a morte já não existirá…» (Ap 21:1-4). O Reino «ainda não» pode, portanto, ser descrito como o momento em que o senhorio de Deus, já real, mas contestado, torna-se manifestamente universal, reconhecido por toda a criação, e quando todo o sofrimento ligado à antiga ordem das coisas desaparece.
Baseando-nos em Mateus 25:34, 1 Coríntios 15:24-28 e Apocalipse 11:15, podemos afirmar que o Reino escatológico possui pelo menos três dimensões: é uma herança recebida pelos justos, um reinado que Cristo entrega ao Pai após a consumação da obra de submissão, e uma transformação cósmica pela qual o "reino do mundo" se torna definitivamente o reino de Deus e de seu Cristo. Este "ainda não" não é simplesmente uma continuação do presente, mas uma nova fase na qual a mediação real de Cristo conduz a uma total transparência do cosmos para a glória de Deus.

Reino, Cristo, Igreja, Espírito
Cristo, crucificado e exaltado rei
A questão do Reino inevitavelmente leva à Cristologia. O Novo Testamento, de fato, reinterpreta a realeza de Deus e a esperança messiânica a partir da perspectiva da exaltação de Cristo. O Salmo 110 desempenha um papel central aqui: «Disse o Senhor ao meu Senhor: “Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés”» (Salmo 110:1). Este versículo, citado ou mencionado muitas vezes (Marcos 12:36; 14:62; Atos 2:34-36; 1 Coríntios 15:25; Hebreus 1:3, 13; 10:12-13), serve como chave para a compreensão da atual senhoria de Cristo: aquele que foi crucificado agora está assentado à direita de Deus, em posição de autoridade real, aguardando a submissão final de todos os seus inimigos.
No discurso de Pedro no Pentecostes, essa interpretação é explícita: «Deus ressuscitou este Jesus dentre os mortos… Exaltado à destra de Deus… Pois Davi não subiu ao céu, mas ele mesmo diz: »O Senhor disse ao meu Senhor: «Senta-te à minha direita…»«… Portanto, que toda a casa de Israel saiba com certeza que Deus fez Senhor e Messias a este Jesus, a quem vocês crucificaram» (Atos 2:32-36). A realeza de Cristo é, portanto, inseparável de sua ressurreição e exaltação; ela se desdobra na forma paradoxal de um rei crucificado, cuja vitória vem por meio da humilhação e do sacrifício. Outros textos, como Filipenses 2:9-11, completam esse quadro, afirmando que Deus deu a Jesus «o nome que está acima de todo nome», para que “todo joelho se dobre” e “toda língua confesse” o seu senhorio. É nessa realeza universal do Cristo exaltado que, para o Novo Testamento, se concentra a realidade presente do Reino.
Igreja e Reino: sinal, instrumento, antegosto
A relação entre o Reino e a Igreja é outra questão fundamental. Em Mateus 16, após a confissão de Pedro em Cesareia, Jesus declara: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus» (Mt 16,18-19). Este texto singular estabelece uma ligação estreita entre a edificação da Igreja, a promessa das «chaves do Reino» e a autoridade para ligar e desligar.
A exegese contemporânea geralmente enfatiza que a Igreja não deve ser simplesmente identificada com o Reino, nem separada como duas realidades distintas. Em vez disso, a Igreja aparece como o lugar onde o Reino já está visivelmente em ação: uma comunidade construída sobre a confissão de Cristo, dotada de autoridade delegada (as "chaves") para abrir e fechar, para exercer discernimento doutrinal e disciplinar e para proclamar o Evangelho que conduz ao Reino. Outros textos, como Atos 14:22 ("é necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus"), mostram que a vida eclesial, marcada pelo sofrimento e pela perseverança, é o contexto no qual essa entrada é preparada e já vivenciada.
Assim, na linguagem da teologia sistemática, podemos dizer que a Igreja é um sinal, um instrumento e um antegosto do Reino: um sinal, porque torna visível no mundo a presença do reino de Deus; um instrumento, porque é enviada para proclamar este Reino e desvendar os seus valores; um antegosto, porque antecipa, de forma ainda imperfeita, a comunhão universal que o Reino consumado irá realizar.
Espírito e Reino: Nascimento divino e promessa do futuro
Por fim, a ligação entre Reino e Espírito é crucial para distinguir entre "já" e "ainda não". No diálogo com Nicodemos, Jesus afirma: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito" (João 3:5-6). Entrar no Reino, portanto, requer um novo nascimento, operado pelo Espírito, que transforma a pessoa de uma mera existência "segundo a carne" para uma vida animada pelo Espírito. Debates exegéticos sobre o significado preciso de "nascer da água e do Espírito" (uma alusão ao batismo, Ezequiel 36:25-27, ou aos dois aspectos de uma mesma regeneração) não alteram este ponto: é a mediação do Espírito que concede o acesso ao Reino.
Paulo amplia essa perspectiva ao descrever o Reino como «justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (Romanos 14:17). Aqui, o Reino não é definido por categorias espaciais ou institucionais, mas por uma experiência espiritual concreta: onde o Espírito concede justiça vivida, paz reconciliada e alegria profunda, o Reino já está em ação. De modo semelhante, em Colossenses 1:13, a transferência «do domínio das trevas» para o «Reino do Filho amado» é entendida como um evento já consumado, realizado precisamente por meio da participação em Cristo no Espírito.
Finalmente, em Romanos 8, Paulo apresenta o Espírito como uma «garantia» (ἀρραβών) da glória vindoura: os crentes possuem «as primícias do Espírito» e gemem na expectativa da plena adoção e redenção de seus corpos (Romanos 8:23), assim como toda a criação geme na expectativa da liberdade dos filhos de Deus (Romanos 8:19-22). O Reino, portanto, já está presente na forma dos frutos do Espírito e do senhorio interior de Cristo, mas permanece orientado para uma manifestação futura onde esse senhorio abrangerá toda a criação. O Espírito é tanto o poder do Reino presente quanto a garantia do Reino vindouro, aquele que já nos capacita a viver «na nova era» em um mundo ainda marcado pela «velha era».

Vivendo entre o "já" e o "ainda não"«
Ao final dessa jornada, o Reino de Deus se revela muito mais do que apenas um tema: ele oferece uma chave para unificar toda a Escritura. Da realeza criadora de Deus, cantada nos Salmos, às visões apocalípticas do senhorio definitivo do Cordeiro, a Bíblia confessa que Deus reina, que estabelece o seu reinado no meio do seu povo e que conduzirá a história para um tempo em que "o reino do mundo será dado ao nosso Senhor e ao seu Cristo" (Ap 11:15). A promessa feita a Davi de um trono "estabelecido para sempre" (2 Sm 7:12-16), relida pelos profetas e retomada nos Salmos reais, encontra seu cumprimento paradoxal na exaltação de Cristo crucificado, assentado à direita de Deus, segundo o Salmo 110, e chamado a reinar "até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo dos seus pés" (1Co 15:25).
A pregação de Jesus, conforme narrada nos Evangelhos, coloca este Reino no centro da mensagem: Jesus proclama o Evangelho do Reino, chamando à conversão e à fé porque «o tempo está cumprido» e «o reino de Deus está próximo» (Marcos 1:14-15; Mateus 4:17). Por meio de suas parábolas, ele revela um Reino que cresce em segredo, como uma semente ou fermento, e que só se manifestará plenamente no tempo da colheita ou da seleção final (Mateus 13). No Sermão da Montanha, ele apresenta sua carta ética: os pobres de espírito, os pacificadores e os perseguidos por causa da justiça são declarados herdeiros do Reino (Mateus 5-7; 6:33). Lucas e Paulo, finalmente, insistem na presença atual deste reino: "o Reino de Deus chegou até vocês" (Lc 11:20), "o Reino de Deus está entre vocês" (Lc 17:21), "o Reino de Deus é justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rm 14:17), e os crentes já foram "transferidos para o Reino do Filho amado" (Cl 1:13).
Ao mesmo tempo, o Novo Testamento fala constantemente do Reino como uma realidade por vir, um objeto de herança e esperança. O Rei dirá àqueles abençoados por seu Pai: «Recebei por herança o reino que vos foi preparado desde a fundação do mundo» (Mt 25,34), e Paulo nos lembra que «a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus» (1 Cor 15,50). Em 1 Cor 15,24-28, o apóstolo descreve o momento em que Cristo, tendo derrotado todos os poderes opositores, entregará o Reino ao Pai para que «Deus seja tudo em todos», enquanto o livro do Apocalipse retrata a tomada de posse pública do «reino do mundo» por Deus e seu Cristo, seguida pela vinda de um novo céu e uma nova terra (Ap 11,15; 21,1-4). A tensão entre a presença e o futuro do Reino, portanto, não é um acidente da tradição, mas um elemento estruturante da revelação: o Reino já está aqui, mas ainda não se consumou. É dado, mas ainda precisa ser herdado; é experimentado no Espírito, mas aguarda sua manifestação cósmica.
De uma perspectiva teológica, isso significa que o Reino não pode ser reduzido a uma realidade exclusivamente interna, nem a um mero estado celestial pós-morte, nem à Igreja entendida institucionalmente, nem a um projeto autônomo de transformação sociopolítica. Designa, acima de tudo, o reinado efetivo do Deus Trino sobre a criação, em e por meio de Cristo, no poder do Espírito, com a Igreja como seu sinal, instrumento e antecipação. Viver «sob o Reino» é acolher agora o Senhorio de Cristo, entrar pelo novo nascimento da água e do Espírito (Jo 3,5), buscar primeiro a justiça de Deus (Mt 6,33), permitir que o Espírito produza justiça, paz e alegria em nós (Rm 14,17), mantendo os olhos fixos na herança prometida, quando Deus será tudo em todos e o Reino do mundo lhe pertencerá definitivamente.
