- Quando você finalmente sabe quem Ele é, Ele lhe conta sobre a Sua morte.
- Uma oração que precede uma pergunta crucial.
- A palavra que Pierre se atreve a pronunciar.
- O anúncio que muda completamente o significado da palavra "Messias"«
- Qual o preço que essa confissão custa a quem a faz?
- O silêncio imposto, ou a pedagogia da paciência divina
- O que este texto muda em nossas vidas
- O eco patrístico, litúrgico e contemporâneo do texto
- Lectio divina
- Caminhos para vivenciar este texto
- O que este texto diz ao nosso tempo
- Oração
- Conclusão
- Práticas
- Referências
- ✝ Referências bíblicas
Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
18Certo dia, enquanto orava em um lugar solitário, com seus discípulos ao seu lado, ele fez esta pergunta: "Quem ten as multidões que eu sou?"" 19Eles respondem: "João Batista, outros Elias, outros que um dos antigos profetas ressuscitou.". 20»E vocês«, perguntou ele, »quem ten que eu sou? Pedro respondeu: ”O Cristo de Deus“.” 21Mas a ordem é muito severa e ainda não foi comunicada. 22«É necessário», acrecentou ele, “que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, seja morto e ressuscite ao terceiro dia.”
Um homem se afasta da multidão para orar. Ele já conhece os rumores que circulam a seu respeito — as pessoas falam, comparam, buscam precedentes para classificá-lo. Então, ele se volta para aqueles que o seguem há meses, que viram tudo: os doentes curados, as multidões alimentadas, as tempestades acalmadas. Ele lhes faz uma pergunta que nenhum título pode responder. Um homem responde com uma palavra imensa — a maior palavra que um judeu pode proferir sobre outro homem. E a resposta a essa confissão não é uma coroa. É um anúncio de morte.
Quando você finalmente sabe quem Ele é, Ele lhe conta sobre a Sua morte.
Ele nunca pediu para ser admirado — ele pediu para ser reconhecido, e esse reconhecimento tem um preço que ninguém esperava.
Há uma pergunta que Jesus faz apenas uma vez nos Evangelhos, em voz alta, diante de testemunhas: «Quem vocês dizem que eu sou?» Essa pergunta relembra aquele momento crucial — Pedro encontrando as palavras certas e Jesus respondendo com o anúncio do sofrimento. Para qualquer crente que já pensou ter «entendido» quem é Cristo, essa passagem desafia suposições precipitadas. Ela mostra que confessar Jesus nunca é um ponto final, mas o limiar de uma jornada mais exigente do que se imaginava.Este texto se desdobra em três partes interligadas: primeiro, a pergunta feita na solidão da oração; segundo, a confissão de Pedro, impulsionada pela fé; e, finalmente, a proclamação da Paixão, que dissipa quaisquer concepções errôneas sobre o messianismo. Entre essas três partes, algo acontece que diz respeito diretamente à nossa maneira de seguir a Cristo hoje.
Uma oração que precede uma pergunta crucial.
Lucas menciona um detalhe que Mateus e Marcos omitem quase completamente: Jesus «estava orando sozinho» antes de interrogar seus discípulos. Isso não é uma coincidência literária. Em Lucas, cada momento crucial do ministério de Jesus é precedido por um período de oração solitária — seu batismo, a escolha dos doze apóstolos, a Transfiguração, a agonia no Getsêmani. A pergunta que se segue, portanto, não é uma questão de curiosidade ou pesquisa de opinião. Ela surge de um diálogo com o Pai. Estamos em algum lugar da Galileia, provavelmente na região de Cesareia de Filipe, de acordo com os paralelos em Mateus e Marcos, embora Lucas não especifique o local — um sinal de que, para ele, o que importa não é a geografia, mas a experiência interior do momento. Jesus já multiplicou os pães, curou os enfermos e enviou os Doze em missão. O próprio Herodes questiona sua identidade alguns versículos antes: «João, eu o mandei decapitar. Agora, quem é este homem de quem ouço falar tanto?». A atmosfera está, portanto, carregada de perguntas. Toda a Galileia fervilha de especulações sobre este homem que ensina com autoridade e realiza milagres. É nesse contexto que Jesus escolhe falar com seus discípulos a sós, longe da multidão. Ele começa com uma pergunta indireta, quase cautelosa: «Quem dizem as multidões que eu sou?». As respostas vêm, todas honrosas, todas insuficientes: João Batista ressuscitado, Elias retornando antes do Dia do Senhor, um profeta da antiguidade. Essas respostas não são absurdas — elas se baseiam em categorias bíblicas reais, em expectativas judaicas reais. Mas permanecem superficiais. Classificam Jesus dentro de uma série, um tipo, uma função já conhecida.Em seguida, vem a segunda pergunta, aquela que não deixa espaço para fuga coletiva: «E você, o que diz?» A mudança de «nós» para «você» é o cerne do texto. Jesus se recusa a deixar que a fé permaneça um boato espalhado por outros. Ele exige um compromisso pessoal, uma palavra que brota do próprio discípulo.
A palavra que Pierre se atreve a pronunciar.
Pedro responde: «O Cristo, o Messias de Deus». Duas palavras que significam a mesma coisa em duas línguas — Christos em grego, Mashiah em hebraico, o Ungido. Este não é apenas mais um título. É O título que o povo judeu aguardou por séculos, aquele que restaurará o reino, libertará Israel e inaugurará uma nova era. Ao proferir essas palavras, Pedro não está fazendo um elogio. Ele está depositando em Jesus a mais grande esperança que um coração judeu pode suportar.E é precisamente aqui que o texto toma um rumo desconcertante. Seria de esperar uma confirmação alegre, uma celebração, talvez até — como em Mateus — uma bênção explícita de Pedro e o anúncio do seu papel como pedra fundamental. Lucas, porém, vai direto ao cerne do drama: Jesus "ordenou-lhes estritamente" que não falassem sobre isso, e imediatamente em seguida anuncia a sua Paixão.
Esse silêncio imposto não é um capricho. Jesus sabe que a palavra "Messias" carrega, na mente de seus contemporâneos, uma conotação política e bélica que ele próprio não abraçaria dessa forma. Se a multidão descobrisse que Jesus era o Messias, poderia querer torná-lo rei, senhor da guerra, libertador militar — que é exatamente o que acontece após a multiplicação dos pães, segundo João, quando a multidão quer "prendê-lo para fazê-lo rei". Pedro proferiu as palavras certas, mas com um significado ainda falho. Portanto, Jesus precisa redefinir imediatamente o que significa ser o Messias de Deus.
O anúncio que muda completamente o significado da palavra "Messias"«
A seguinte frase é uma das mais densas dos Evangelhos: "É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, seja morto e ressuscite ao terceiro dia." Cada palavra importa.
«É necessário» — em grego, dei, uma necessidade que não é fatalismo, mas o cumprimento de um plano divino predito nas Escrituras, particularmente nos cânticos do Servo Sofredor de Isaías. Não é um acidente trágico que acontece a Jesus. É uma necessidade inerente à sua própria missão. «O Filho do Homem» — Jesus não diz «Eu»; ele usa esse título enigmático do Livro de Daniel, que designa tanto uma figura gloriosa e celestial quanto, nas palavras de Jesus, uma figura de humildade e sofrimento. Ao usar esse título em vez de «Messias», Jesus efetua uma mudança radical: ele assume o papel messiânico, mas o preenche com um significado inesperado — o do Servo sofredor em vez do rei triunfante.«Rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas» — Jesus nomeia precisamente as autoridades religiosas que o condenarão. Não é um inimigo externo, um ocupante romano, que o matará primeiro na narrativa de Lucas, mas os próprios guardiões da tradição de Israel. A rejeição vem do coração do povo escolhido, o que torna a ferida ainda mais profunda.
«"Que ele seja morto" — o anúncio é direto. Sem amenizar, sem metáforas. Jesus encara a morte de frente e a anuncia diante de seus discípulos.
«E que ao terceiro dia ressuscitaria» — a frase não se detém na morte. Ela abre caminho para a ressurreição, mas quase elipticamente, como uma certeza que não precisa de maiores explicações neste ponto. Este é o primeiro dos três anúncios da Paixão feitos por Lucas, e já contém toda a lógica pascal: a morte não é o fim da história.
Qual o preço que essa confissão custa a quem a faz?
Confessar que Jesus é o Cristo nunca é uma tarefa simples. Esta é talvez a lição mais relevante deste texto hoje. Pedro falou a verdade — o próprio Jesus não o contradiz —, mas falar a verdade sobre Jesus imediatamente nos compromete com um caminho de despojamento. Não se pode reconhecer o Messias sem aceitar que este Messias, à sua maneira, redefine o que significa ser salvo, ser liberto, ser rei.
Este é um tema recorrente em toda vida espiritual séria. A princípio, pensamos reconhecer Cristo segundo nossas próprias categorias — um Deus que protege, que cura, que justifica nossas lutas. Então chega o momento, muitas vezes silencioso, em que esse Cristo nos diz à sua maneira: «O Filho do Homem deve sofrer». Ele nos convida a reconsiderar nossa ideia de vitória, felicidade e sucesso espiritual. A fé madura não se resume a repetir o clichê — «Cristo, o Messias de Deus» — mas a aceitar seu significado pleno, incluindo seus aspectos mais perturbadores.
Considere um pai ou uma mãe que descobre, por meio de uma provação familiar, que sua fé em Deus não o protege do sofrimento, mas o acompanha durante ele. Ou um jovem convertido, cheio de entusiasmo, que precisa aprender que seguir a Cristo não significa que tudo se tornará fácil, mas que tudo se tornará significativo e administrável. Em ambos os casos, ocorre o mesmo movimento que o de Pedro: dizer as palavras certas e, aos poucos, aprender o que elas realmente significam.
O silêncio imposto, ou a pedagogia da paciência divina
Vale a pena parar para considerar essa ordem de silêncio, muitas vezes ignorada pelos comentaristas. Jesus «ordenou-lhes estritamente que não contassem a ninguém». Isso não é dissimulação, é pedagogia. Uma verdade proclamada prematuramente, se mal compreendida, pode se tornar um obstáculo em vez de uma ajuda. O título de Messias, lançado em uma multidão repleta de expectativas políticas, teria desencadeado uma agitação que Jesus não desejava — não naquele momento, não dessa maneira.
Aí reside uma valiosa lição para qualquer transmissão de fé nos dias de hoje. Certas verdades precisam amadurecer antes de serem proclamadas em voz alta. Isso não é medo, mas respeito pela inteligência daqueles que ouvem. Jesus espera até que seus discípulos tenham vivenciado a Paixão e a Ressurreição para que a palavra "Messias" finalmente adquira seu verdadeiro significado em suas bocas — um significado que não possa mais ser confundido com o de um senhor da guerra.
Essa mesma preocupação existe em toda pedagogia espiritual séria: saber esperar o momento certo para dizer certas coisas, não pular as etapas de compreensão, permitir tempo para que uma verdade se desdobre no coração antes de se tornar uma declaração pública.
O que este texto muda em nossas vidas
Em nossas vidas pessoais, este texto nos convida a examinar a natureza de nossa própria confissão de fé. Crer que Jesus é o Cristo não é um verniz religioso acrescentado a uma existência que, de outra forma, permaneceria imutável. É aceitar que nossas falhas, nossos sofrimentos, nossas rejeições também podem se tornar caminhos percorridos por essa mesma lógica pascal — morte e ressurreição, perda e vida nova.
Em nossos relacionamentos, este texto desafia nossa maneira de nomear os outros. Assim como as multidões que categorizaram Jesus segundo rótulos familiares — João Batista, Elias, um profeta —, constantemente corremos o risco de reduzir os outros a rótulos convenientes em vez de lhes fazer a verdadeira pergunta: «E você, quem é você, de verdade?». Este texto é um convite para irmos além dos boatos e nos aprofundarmos em relacionamentos pessoais.
Na vida social, o anúncio da rejeição por parte dos "anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas" serve como um lembrete de que a verdade, mesmo quando vem de Deus, pode ser rejeitada pelas próprias instituições que deveriam reconhecê-la. Isso exige uma vigilância humilde: nossas próprias estruturas eclesiásticas ou sociais nunca estão imunes a rejeitar, sem perceber, aquilo que deveriam acolher.
Na vida da Igreja, esta passagem nos lembra que a Igreja nasce de uma confissão — a de Pedro — mas que essa confissão deve permanecer sempre aberta ao esclarecimento pelo próprio Cristo. A Igreja ainda não terminou de compreender quem é o seu Senhor; ela é chamada, como Pedro, a receber continuamente novas profundezas dessa identidade.
O eco patrístico, litúrgico e contemporâneo do texto
Desde os primeiros séculos, este texto tem alimentado a reflexão cristã sobre a identidade de Cristo. Orígenes, em seu Comentário ao Evangelho de Mateus, Livro XII, discorre longamente sobre a confissão paralela de Pedro em Cesareia de Filipe, vendo nela o momento em que a própria Igreja recebe seu fundamento — não apenas na pessoa de Pedro, mas na fé que ele expressa, uma fé que deve ser compartilhada por todo crente, tornando-se assim ele próprio uma pedra viva da construção. Cirilo de Alexandria, em seu Comentário sobre São Lucas, homilia XLIX, insiste na ligação entre a confissão de Pedro e o anúncio imediato da Paixão, vendo nela uma pedagogia divina: Cristo nunca permite que a verdade de sua messianidade seja separada da verdade de sua cruz, por medo de que os discípulos construíssem uma fé truncada, gloriosa, mas não redentora. Ambrósio de Milão, em sua Exposição do Evangelho segundo São Lucas, Livro VI, desenvolve a ideia de que o silêncio imposto por Jesus após a confissão de Pedro manifesta a sabedoria divina que aguarda o tempo favorável — o da Cruz e da Ressurreição — para que a verdade messiânica possa ser proclamada sem ser distorcida por expectativas carnais de poder. Tomás de Aquino, na Catena Aurea sobre São Lucas, capítulo nove, reúne essas leituras patrísticas e enfatiza particularmente, seguindo Beda, o Venerável, que a ordem dos três elementos — sofrimento, rejeição, ressurreição — corresponde à própria ordem da salvação: era necessário que o Filho do Homem exaurisse toda a humilhação humana antes que a glória da ressurreição pudesse ser plenamente manifestada.Liturgicamente, esta passagem ocupa um lugar especial: no Rito Romano, é proclamada no Décimo Segundo Domingo do Tempo Comum, Ano C, mas também, de forma paralela em Mateus, em momentos em que a Igreja medita sobre os fundamentos da sua fé. A liturgia frequentemente a associa a leituras do Antigo Testamento sobre o Servo Sofredor ou sobre o Rei Messiânico esperado, convidando a assembleia a experimentar por si mesma, em oração comunitária, este duplo reconhecimento — quem é Cristo e o que significa segui-lo até à cruz.
No registro contemporâneo, Joseph Ratzinger, em Jesus de Nazaré, Volume Um, retorna longamente a essa cena, enfatizando que a pergunta "E você, o que diz?" continua dirigida a cada geração de crentes; ele insiste que a autêntica fé cristã nunca pode ser reduzida à repetição de uma fórmula herdada, mas deve sempre ser uma resposta pessoal e vivida, capaz de integrar o escândalo da cruz anunciado imediatamente após a gloriosa confissão.Lectio divina
«É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas… e que ao terceiro dia ressuscite.» Lucas 9:22
Talvez você também já tenha proferido as palavras certas sobre Jesus — Salvador, Senhor, Messias — sem ainda saber tudo o que essas palavras exigiriam de você. Cristo nunca se contenta com meras palavras; Ele espera uma vida pronta para viver aquilo que proclama. Que sofrimentos em sua própria vida você ainda espera ver suportados até a ressurreição? Onde você se encontra hoje entre as palavras que proferiu sobre Deus e a vida que realmente vive com Ele? Você se atreve a deixar Cristo redefinir, à Sua maneira, o que a sua fé deve significar?
Senhor, Tu me questionas como questionaste Pedro, e eu quero Te responder com a verdade, e não com fórmulas decoradas. Tu não escondeste a Tua cruz de mim; ensina-me a não esconder a minha. Dá-me a força para enfrentar as minhas próprias rejeições, as minhas próprias noites escuras, com a serena certeza do terceiro dia. Que a minha confissão nunca permaneça uma palavra vazia, mas se torne a cada dia um pouco mais de vida entregue. Tu que colocaste tudo nas mãos do Pai somente em oração, ensina-me essa mesma entrega. Permanece comigo até a manhã de Páscoa.
Um homem sozinho, à parte, com o rosto voltado para o silêncio do Pai, antes que a palavra que tudo muda seja proferida.
Caminhos para vivenciar este texto
Como Jesus fez, reserve um tempo para a oração solitária antes de tomar decisões importantes ou abordar questões cruciais do dia. Pergunte a si mesmo honestamente, sem se contentar com respostas prontas ouvidas em outros lugares, quem Cristo é para você hoje, em sua própria vida, com suas próprias palavras. Aceite que algumas verdades espirituais precisam de tempo para amadurecer dentro de nós antes de serem compartilhadas com os outros. Reexamine uma provação recente à luz da lógica pascal — o sofrimento suportado e, então, a nova vida que brota dele. Ouse, em um pequeno grupo ou em confissão pessoal, formular em voz alta sua própria resposta à pergunta de Jesus, sem se esconder atrás de frases decoradas.
O que este texto diz ao nosso tempo
Nossa era ama identidades exibidas, títulos proclamados nas redes sociais, convicções gritadas antes de serem vividas. Este texto propõe o oposto: uma verdade que se expressa primeiro na intimidade de uma relação pessoal com Cristo, antes de ser compartilhada com o mundo, e que aceita ser imediatamente corrigida, aprofundada e retificada, se necessário.
Nesta era marcada pela fuga do sofrimento e da morte, há também algo profundamente contraintuitivo na mensagem de Jesus: a grandeza não se alcança evitando a fragilidade, mas vivenciando-a plenamente, com a certeza de que ela não tem a palavra final. Diante de uma sociedade que promete felicidade sem a cruz, este texto nos lembra, com grande delicadeza, mas sem concessões, que a verdadeira vida cristã jamais evita o sofrimento — ela o atravessa, sustentada pela esperança da ressurreição.
Finalmente, num mundo onde as autoridades, mesmo as religiosas, podem por vezes rejeitar o que verdadeiramente vem de Deus, este texto convida-nos a uma humildade vigilante: nunca presumir que as nossas próprias certezas institucionais estão automaticamente do lado da verdade.
Oração
Senhor Jesus, tu que te retiraste para um lugar isolado para falar com teu Pai, ensina-me a silenciar antes de responder às perguntas que realmente importam. Tu me perguntas, como perguntaste aos teus discípulos na antiguidade: «E tu, o que dizes? Quem dizes que eu sou?» Gostaria de te responder com as palavras de Pedro, mas sei que dizer o teu nome não basta — devo também acolher tudo o que esse nome significa, até mesmo a cruz que me anuncias tão claramente.
Tu que previste teu próprio sofrimento sem fugir dele, ensina-me a não fugir do meu. Tu que foste rejeitado por aqueles que deveriam ter-te reconhecido, concede-me a clareza para jamais rejeitar, por medo ou conforto, o que me ensinarias hoje. Tu que ressuscitaste ao terceiro dia, sê a certeza oculta no âmago das minhas lutas, quando tudo parece perdido.
Concede-me a graça de confessar-te não apenas com os meus lábios, mas com uma vida que aceite ser moldada pela tua cruz. Que eu jamais me limite às palavras bem-intencionadas proferidas uma única vez, mas que eu continue, a cada dia, a receber de ti quem tu verdadeiramente és. Amém.
Conclusão
A questão de Jesus permanece aberta para cada um de nós hoje, muito distante de rumores e respostas prontas. Ela não busca uma fórmula recitada, mas uma vida moldada por aquilo que proclama. Dizer que Jesus é o Cristo é aceitar entrar com ele em um caminho onde a cruz sempre precede a glória — e onde essa proclamação, longe de ser uma ameaça, se torna a promessa mais sólida de todas: nada do que vivenciamos terá a palavra final.
Práticas
Reserve um breve momento de silêncio todos os dias antes de orar, como Jesus fazia em solidão.
Formule, uma vez por semana, por escrito, sua própria resposta para "Quem sou eu para você?".«
Reexaminando uma dificuldade atual à luz da lógica da morte e da ressurreição.
Evite reduzir uma pessoa a um rótulo superficial; em vez disso, faça uma pergunta genuína.
Acolher uma nova verdade espiritual sem compartilhá-la imediatamente, para deixá-la amadurecer.
Releia este texto durante uma prova para encontrar um caminho para o seu significado.
Referências
Antiguidade e os Padres (séculos I-V)
- Orígenes, Comentário sobre o Evangelho de Mateus, Livro XII — reflexão sobre a confissão de Pedro em Cesareia de Filipe como fundamento da Igreja na fé compartilhada por todos os crentes.
- Cirilo de Alexandria, Comentário sobre São Lucas, Homilia XLIX — ligação entre a confissão messiânica e o anúncio imediato da Paixão, para evitar uma fé gloriosa sem uma dimensão redentora.
- Ambrósio de Milão, Exposição do Evangelho segundo São Lucas, Livro VI — o silêncio imposto por Jesus como sabedoria, aguardando o tempo favorável da Cruz e da Ressurreição.
Pais tardios e a Idade Média (séculos V a XV)
- Tomás de Aquino, Catena aurea sobre São Lucas, capítulo nove — síntese patrística sobre a ordem sofrimento-rejeição-ressurreição como a própria lógica da salvação.
Contemporâneo (séculos XX-XXI)
- Joseph Ratzinger, Jesus de Nazaré, Volume Um — a questão de Jesus dirigida a cada geração, exigindo uma resposta pessoal e não uma fórmula herdada.
✝ Referências bíblicas
3 trechos · 2 livros
O Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido. (Lucas 19:10)
O Evangelho da Misericórdia: Jesus próximo dos pobres, das mulheres e dos pecadores.
→ Explore o Códice Luc- O Filho do Homem está prestes a ser entregue nas mãos dos homens. Os discípulos tiveram medo de lhe perguntar sobre isso (Lucas 9:43b-45).
- João, eu o mandei decapitar. Mas quem é este homem de quem ouço falar tanto? (Lucas 9:7-9)
- Ele os enviou para proclamar o reino de Deus e curar os enfermos (Lucas 9:1-6).
- Que pode o homem dar em troca da sua vida? (Mt 16:24-28)
- Quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará (Lucas 9:22-25)
- Três Igrejas, Uma Missão: Quando a América do Norte Católica Escolhe a Fraternidade em Vez do Medo
- Atos 29: O sexto continente não precisa de apóstolos perfeitos, mas sim de apóstolos disponíveis.
- Colômbia: Quando a missão se torna presença, e a presença se torna oração.
- O avião oferecido a Leão XIV: a dádiva de bens gratuitos como uma memória redescoberta da Igreja.

O Filho do Homem veio para servir e dar a sua vida como resgate. (Marcos 10:45)
O Evangelho em ação: Jesus, o poderoso servo, revelado como Filho de Deus na cruz.
→ Explore o Códice Marc- Como ela sofreu, como ela padeceu, a terna Mãe, ao contemplar seu divino Filho atormentado! (Stabat Mater. Jo 19, 25-27)
- Quero que me tragam agora mesmo a cabeça de João Batista numa bandeja (Marcos 6:17, 29).
- Todos os que tocaram na orla de seu manto foram curados (Marcos 6:53-56)
- Eles eram como ovelhas sem pastor (Marcos 6:30-34)
- João, a quem eu decapitei, ressuscitou! (Marcos 6:14-29)
- Herodes ouve falar de Jesus: o que seu medo revela sobre nós
- O coração que não sabe fechar a porta para o infortúnio alheio.
- Tornando-se um estranho novamente: o que Nazaré revela sobre o rosto de Jesus.
- Quando o medo de perder a reputação mata com mais certeza do que o ódio.
- Um pouco sobre fé: o que Crisóstomo vê no fracasso dos discípulos.
- Leão XIV em Rimini: quando a Igreja redescobriu o carisma como método de evangelização.
- Castel Gandolfo: O Silêncio do Papa e o Governo do Invisível
- Jean-Baptiste, a voz que precede o inaceitável
- Do muelle de la vergüenza ao puerto de la esperanza: Leão XIV, o afogado do Atlântico e a memória de Deus.
- É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus (Mt 19:23-30).
- Marta, Marta, você está preocupada e inquieta com muitas coisas (Lucas 10:38-42)
- Rabi, devolve-me a visão! (Marcos 10:46b-52)
- Estamos subindo para Jerusalém. O Filho do Homem será traído (Marcos 10:32-45).
- Vocês receberão, nesta era presente, cem vezes mais, juntamente com perseguições; e na era vindoura, a vida eterna (Marcos 10:28-31).
- Deixar tudo para trás para receber tudo: a promessa da nova gênese.
- A natureza radical do Evangelho: quando Deus se recusa a envelhecer.
- Sentado com Deus, mas ainda não — A arte cisterciense de caminhar antes de reinar
- Amar a si mesmo: o mandamento esquecido no coração do Evangelho
- «"Eles tinham seus planos em mente": Bartimeu, Jesus e o apostolado esquecido da orelha
- Quando a multidão se levanta: o que a Praça da Concórdia revela sobre o Espírito que nunca morre.
- O preço de uma criança: quando dezoito bilhões de dólares não podem comprar de volta uma alma.
- Brasil: Quando a sede de Deus desafia as estatísticas do declínio católico
- Equador: Quando uma criança que nunca nasceu se torna um filho da Igreja















































